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O Presente e o Futuro da Educação Física

Publicado em Maio 17, 2012 | , , | Deixe um comentário

Trabalho com a Educação Física desde 1988 e acompanhei toda evolução do Fitness, Wellness e demais áreas correlatas.

Atualmente o aparato tecnológico está cada dia mais presente na prática desportiva e disponível em vários ambientes propícios para essa prática, a formação profissional dos Professores de Ed. Física também evoluiu, obviamente, pois as universidades devem ou deveriam disponibilizar profissionais capacitados para atender as demandas da sociedade a qual está inserida.

Contudo tenho percebido uma estagnação nessa área, resumindo-se a criação de poucos acessórios desportivos, afinal, esteira é esteira em qualquer lugar. Nesse ambiente, e na ávida tentativa de se criar ou instituir uma grande novidade, uma nova metodologia de aplicação prática na rotina de treinamentos desses usuários, observo que os gestores do fitness estão perdendo o foco, não entendo como esses gestores estão propondo, por exemplo, a colocação de jogos de pebolim no meio da sala de musculação?

Afinal estamos ali para treinar, paquerar, jogar, assistir televisão? Tudo ao mesmo tempo? Agora?

Não seria mais prudente e seguro se fossem criados espaços específicos para essa socialização? Com jogos, pebolim, internet, televisão, sala para as crianças pequenas que por ventura frequentam o ambiente ou estão esperando os pais.

No Brasil, aproximadamente 3% da população está matriculada em academias, somente. Não seria essa falta de foco, de atenção, de comprometimento com a saúde desses usuários, pouco reconhecimento/valorização dos Professores experientes, que está afastando as pessoas desses centros de fitness e bem estar (academias)?

Nessa mesma balada, visualizo também a falta de ética, de compromisso dos próprios Professores de Educação Física, seguindo a mesma trama, estão fazendo desses centros um ambiente de criação e execução de “programas mirabolantes” de treinamento, com o mesmo intuito, criar uma fórmula mágica que somente ele detém os respectivos conhecimentos/conteúdos.

Sem falar no uso desenfreado de suplementos alimentares, esteróides anabolizantes, que todos sabem que existe em larga escala.

Será que um dia, conseguiremos ver o CONHECIMENTO sendo valorizado nesse País? Ou isso é utopia e o mundo evolui para isso mesmo? Dizem que a esperança é a última que morre, quero crer nisso, para poder usar essa esperança como energia para continuar nessa labuta confiante que o “achismo” e o “ahaha uhuhu” não irão muito longe.

Se o Brasil vislumbra ser realmente a 6ª potência mundial precisa mudar muita coisa ainda, não basta investir apenas na infraestrutura se não temos uma população educada e preparada para ser efetiva no mercado de trabalho.

Essa consciência precisa ter sua gênese nas universidades, que deveriam formar profissionais muito mais éticos e preocupados com a verdadeira atuação do Profissional de Educação Física perante a sociedade, mas tenho a impressão de que o ensino no Brasil virou negócio, não interessando a qualidade dos futuros profissionais e sim o valor da mensalidade paga pelos mesmos durante o curso de graduação.

Veja como a falta de bom senso nas academias tem suas origens lá na graduação, que se formasse profissionais éticos, provavelmente essa perda de foco seria bem menor e/ou com mais conteúdo, utilizando-se de pesquisas para dar suporte as suas ações.

Em suma, acredito que é necessário moralizar a Educação Física, antes que outros cursos sejam criados (aliás já foram) para ocupar essa lacuna e nós, provavelmente nos tornaremos animadores de aniversário de crianças, os “bobos da corte”. Nada contra as pessoas que fazem essa profissão, apenas uma alusão ao nosso possível futuro.

Um abraço.
Prof. Jeferson Corrêa Porto