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As nove qualidades físicas da Educação Física.

Publicado em dezembro 11, 2010 | | Deixe um comentário

Profissional de Educação Física: Luiz Carlos Chiesa
Registro CREF 1- 000069 G/ES

Cada época padroniza e valoriza um modelo estético. No fim do século passado até os dias atuais resgatou-se mais ativamente o valor estético encontrado na antiga Grécia, onde as formas corporais eram super admiradas, e por meio das artes, foram expressas nas formas dos deuses do Olimpo. Hoje! Mais do que antes, possuímos uma verdade secular e, em perfeito ajuste ao capitalismo reinante, que, por meio do corpo, constrói seu alicerce no consumismo generalizado, afirmando a corpolatria no modismo atual.

Entre transformações engenhosas e manobras do marketing moderno, está o homem que inconsciente, depara-se com análises próprias e síntese, imaturas. Nesse inconsciente coletivo, reinam as incertezas e o desconhecimento sobre o próprio querer. Tal realidade de desconhecimento é campo propício ao sistema dominante, que por meio de estratégia de marketing e propaganda, perpetuam modelos de estética padronizados, ludibriando a sociedade com discursos centrados sobre saúde física e beleza fútil. Na busca por um status de beleza física no império social, muitos perdem a lucidez e a vida, por meio do uso de qualquer artifício, para alcançar o objetivo insano.

Na comissão de frente desse folclórico espetáculo, encontramos alguns profissionais de Educação Física, e seus pares das várias áreas de saúde, completamente perdidos. Ainda são visíveis os muitos profissionais, que permanecem com discursos e atitudes, centralizados no marketing pessoal. A valorização extremista dada pela máquina de consumo, é que alimenta a presente postura de tais profissionais. Infelizmente, é comum não haver por parte da sociedade, nenhuma forma de análise ou questionamento mais apurado, sobre os mecanismos dominadores de mídia e mercado, e são raros os momentos, em que há alguma crítica, sobre discursos ou imposição das idéias e, atitudes relacionadas aos modismos.

Observamos o singular posicionamento do corpo social ou sociedade, que sanciona como verdade absoluta, qualquer posicionamento profissional unilateral relacionado com a moda. Assumir uma posição profissional e de vida holística, a qual é permanentemente pisoteada e renegada, é uma exceção. A totalidade do homem certamente foi e permanece fragmentada nos dias atuais.

Os limitados “profissionais”, com suas capacidades de auto-análise e coerência em estado de atrofia, e acompanhados pela falta de aprofundamento técnico, causa exclusiva de seus limitados conhecimentos, desestimulam o amadurecimento científico, emperrando o reconhecimento da Educação Física como profissão de saúde, perante a sociedade.

Deparamo-nos com uma Educação Física ainda desgastada e em crise de identidade, que busca freneticamente o caminho estético e do desporto competitivo, no presente, para afirmar, num futuro próximo, que a crise não passou em branco. Permanecemos em crise de conhecimentos, e se a classe profissional não fizer uso das medidas e avaliações, acabará permanecendo no descrédito popular, vivido até agora. Felizmente já há o reconhecimento de profissionais de áreas afins, sobre o valor inestimável da prática de exercícios físicos, contribuindo para a popularização da real utilidade do professor de Educação Corporal.

No momento crítico da atualidade, não podemos deixar de fazer ciência, e aprofundar sobre questões e mecanismos, que promovem e alimentam o perfil social incrédulo. Devemos criar condições de trabalho com equipe multidisciplinar, agregando classes profissionais das áreas de ciências Humanas e Exatas, que realmente possuem afinidades cientificas e congruência com a Educação Física, tais como Psicologia, Nutrição, Medicina, Informática, Administração, visando reverter o quadro de descrença, gerado por meio do desconhecimento popular.

A saúde de milhões de pessoas esta no jogo. Saúde física versus saúde mental e social. A todo instante, dialogamos sobre saúde física, assumindo dessa forma, um padrão de ação profissional unilateral, esquecendo ou colocando de lado, o conceito universal de que saúde não é só a ausência de doenças. Saúde é o resultado de uma ação integrada e equilibrada, dos mecanismos, biológicos, psicológicos, sociais e espirituais. modificado de Nieman; 1999, in Chiesa; 2007.

Dentro das academias e das escolas, será mera atividade do corpo, se não for consciente, coerente, educativa e libertadora a atividade que propomos realizar. Deverá ser educativa e política, acionada por meio da cientificidade e prática psicopedagógica.

Exercício físico para quem e para quê? Se há dúvidas de como trabalhar no ser humano o desenvolvimento do seu bíceps psíquico, de seu tríceps espiritual, e de seu quadríceps social. Não podemos continuar aceitando algo sem uma profunda análise do estado mental dessa estrutura, da qual somos coadjuvantes como agentes diretos sobre o corpo social.

Nós, profissionais de Educação Física, se continuamos com esse processo desorientado e sem um objetivo mínimo com o desenvolvimento humano, atingiremos precocemente o overuse, e nossa profissão continuará a ser encarada como adestramento, e permanecerá em segundo plano, sendo instalada em uma sala suja, no fim do corredor.
Após estas colocações acima, já estamos com músculos e articulações aquecidos. O próximo passo seria o aquecimento cardiovascular; mas este já foi acionado pelo instinto crítico, daqueles mais sensíveis.

Não basta estarmos preparados apenas fisiologicamente para uma competição, se não possuímos em mãos, o domínio cognitivo sobre o regulamento e controle organizacional, certamente, nessas condições não seremos vitoriosos. Estamos em estado competitivo, e ainda não nos demos conta. Sabemos apenas que poderão ser provas individuais ou coletivas. Talvez basquete, futebol ou corridas. Taxativamente, conclui-se pela análise da necessidade, que será apenas uma prova, de caráter político-classista. O que importa na realidade vigente é a participação ativa de nossa equipe na competição e, se o grupo estiver como nunca, certamente será vencedor. O prêmio não será a tradicional medalha de ouro ou mesmo uma coroa de louros. Na altura desse campeonato, o que menos importa, é o valor material de alguma coisa.

Exercícios físicos para quê? Se a cada dia a ciência atropela as informações ultrapassadas e as atitudes enraizadas no íntimo do agente/professor/passivo. Agente que abandonou os livros e pesquisas ou a própria razão de educador. Passivo professor que aceita qualquer crítica leiga e, ativa e conscientemente comete a omissão. Como agente-professor é inativo, e vê-se fatigado cronicamente pela maratona científica, amarelando na corrida dos 110 metros, por causa das barreiras sociais, sendo por meio dessa atitude, arremessado fora por um ligeiro prático recordista.

Continua-se resistindo na quadra sem cobertura ao forte sol e às constantes chuvas (que vêm por oração), que são medidas paliativas da natureza, para abrandar a passividade patológica que afoga e sufoca. Mas qual quadra? Faltam bolas, redes, tabelas e material mínimo didático.

De dentro do oráculo, ouve-se o não ativo diretor escolar, que em plena ignorância administrativa e pedagógica, emite sua participação, por meio dos seguintes comentários: Esse professor não pára. Isso é o que chamo de Força (01)! Ou será Resistência (02)? Resistência cardiovascular aeróbia e muscular localizada, para suportar em silêncio o tempo de repressão sofrido nos últimos anos.

Força e atitude para mudar não faltam àqueles que desejam uma educação para um mundo melhor. Não desistir nunca, mesmo que a natureza social continue desfavorável. Esse é o estímulo adequado para desencadear uma reação imediata coletiva de mudança. A contração isométrica foi iniciada no presente parágrafo e, em breve acredito que será atingida a força explosiva necessária, para aperfeiçoar o processo geral de conscientização comunitário-classista.

Por meio da Velocidade (03) máxima possível de aceleração que pode ser atingida, e se o trote estiver na direção educativa associada a uma atitude mental positiva, em breve será rompida a barreira da velocidade, ainda nas primeiras décadas do século 21. Seguramente se um trabalho de Coordenação (04) finíssima for realizado entre as entidades representativas da classe, será atingido em tempo recorde, o Ritmo (05) ideal previsto no planejamento crítico daqueles que se organizam, tornando-se o estímulo adequado para a reação de mudança.

Ainda falta Flexibilidade (06) nos orçamentos e métodos de ensino, que continuam ultrapassados, desde o alistamento no país. Todos repletos de teias, de bichos peçonhentos e ratos, que promovem uma corrosão lenta e contínua em toda a estrutura educacional. Por meio da política vigente, os profissionais do sistema de educação pública são desvalorizados e massacrados socialmente, pelo fato da prevalência de baixos salários e condições de insalubridade e insegurança no trabalho. Precisa-se urgentemente de alongamentos ou elevar os investimentos esportivos, sociais e pedagógicos, porque a rigidez continua extrema, com riscos de provocar uma ruptura social por meio da exclusão gerada.

Para atingir uma ação coletiva básica, só falta um pouco de Agilidade e Destreza (07), porque há conhecimentos metodológicos suficientes que podem edificar uma emenda constitucional, para categoricamente enriquecer o espírito educacional do país.

Agilidade ainda falta. Mas um pouco de estudos extra e dedicação, são sempre benéficos, porque para a obtenção da agilidade necessária ao processo de mudança, deve-se dispor de um tempo até a performance cultural atingir o platô esportivo organizador ou governamental.

Por meio de uma organização coordenada, será atingido o Equilíbrio (08) perfeito entre entidades de classe e órgãos representativos educacionais do governo, que após ter passado pelo período estático, será recuperado de forma dinâmica e, jamais poderá cair no Relaxamento (09).

Exercícios físicos antes durante e depois.
Um abraço!