terça-feira, 29 de maio de 2007 | Treinamento Desportivo | Comentar
A fratura por estresse pode ocorrer após um aumento súbito no treinamento físico, uma alteração no tipo de treinamento ou até mesmo com a mudança no tipo de calçado.
Quando os nossos ossos são submetidos a esforços dentro de sua capacidade de suportá-los, sofrem uma deformação elástica, ou seja, assim que cessada a solicitação, o osso retorna a sua forma normal. Nos casos nos quais a solicitação é maior que a sua capacidade de suportá-la, a deformação elástica torna-se uma deformação plástica, ou seja, o osso não retorna à forma normal após a solicitação. Quando as solicitações continuam, formam-se microfraturas no osso que favorecem a uma reabsorção óssea mesmo sem qualquer tipo de alteração anatômica. Esse processo é denominado como fratura por estresse.
Essas fraturas são muito comuns em atletas praticantes de corridas de médias e longas distancias. Nos casos nos quais o atleta não procura tratamento e não diminui o ritmo dos treinos, pode haver evolução para uma fratura franca, ou seja, uma fratura propriamente dita.
Alguns estudos demonstram que a principal região acometida em corredores é a tíbia. Por isso, praticantes de corrida quando apresentam dor na região anterior da perna devem procurar um ortopedista para fazer uma avaliação e os exames necessários, como radiografia, ressonância magnética, tomografia computadorizada, cintilografia óssea entre outros. Outras regiões do corpo também podem ser acometidas, como os metatarsos (dedos dos pés), o fêmur e o osso calcâneo.
O tratamento da fratura por estresse deve começar pelo repouso “relativo” das atividades, ou seja, o atleta deve se afastar apenas da atividade que causou a lesão, mas está liberado para fazer o que não traga sobrecarga. Além disso, é importante que o atleta com uma fratura por estresse mantenha a resistência e o condicionamento cardiovascular enquanto passa por um apropriado programa de reabilitação. Os métodos mais comuns são ciclismo, natação e exercícios em piscina.
O tratamento também tem com base a fisioterapia para alívio da dor e da inflamação inicialmente. Na segunda fase, é importante fortalecer os músculos importantes para prevenir que a lesão surja novamente. O tratamento pode levar de seis a oito semanas, mas o retorno ao esporte deve ser progressivo.
Antes de voltar a praticar o esporte que causou a fratura por estresse, deve-se avaliar possíveis causas que possam provocar o retorno da fratura ou até novas lesões, os calçados inadequados e treinamento sem períodos de repouso e solos irregulares podem ser algumas causas.
As fraturas por estresse representam a fase final de um processo evolutivo que começa com um desequilíbrio dos limites do corpo, em geral tem bom prognóstico e seu tratamento deve visar sempre a reabilitação precoce com retorno gradual à atividade esportiva.
Eu, Jeferson Porto, ainda ressalto que, mediante observações diárias, percebe-se que a maioria das pessoas que apresentam sintomas de fraturas por estresse são aquelas que se exercitam sem a devida orientação. Treinam sozinhas, sem controle dos inúmeros fatores e variáveis intervenientes na prática desportiva. Assim como na Medicina onde a auto medicação é desaconselhável por várias razões, na Educação Física não é diferente, quem se exercita sem a orientação adequada está invariavelmente fadado a desenvolver esse tipo de lesão.
Por Glauber Alvarenga – fisioterapeuta esportivo do Instituto Vita e especialista em reabilitação músculo-esquelética da Santa Casa de São Paulo.
Direitos Autorais
Revista O2 – treinamento / online – Saúde – 28/05/2007
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Jeferson Corrêa Porto é professor de Educação Física graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – RS, Mestrando em Atividade Física e Saúde pela Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción” – UC, Especialista em Fisiologia das Atividades Motoras em Academias – ginástica, musculação e hidroginástica pela FUNGLAF/AL, Especialista em Bases Fisiológicas e Metodológicas da Atividade Física Personalizada – Personal Training pela FUNGLAF/AL, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UVA/RJ.
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