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Ciclismo e suas Possíveis Lesões

sexta-feira, 29 de agosto de 2008 | Treinamento Desportivo | Comentar

O ciclismo é uma das modalidades mais antigas existentes no mundo. Teve início com o advento da bicicleta desenvolvida pelo francês Ernest Michaux num hobby-horse, espécie de bicicleta sem pedais que fascinava ingleses e franceses nesse período, em 1855 – ele introduziu pedais (ainda na roda da frente) – no que, então se conhecia como, bicicleta.

Logo após, teve-se o advento dos pneumáticos do irlandês John-Boyd Dunlop, favorecendo muito o esporte na tração das bicicletas, além do conforto (na época, as ruas eram de paralelepípedos, o que dificultava muito o uso da bicicleta com pneus sólidos).

A primeira prova internacional ocorreu em Paris, chamada de Paris-Rouen. O percurso de 123 km foi vencido pelo inglês John Moore. Com a proliferação do esporte, em 1890, foi construído, também em Paris, o primeiro velódromo do mundo. Percebemos aí a enorme importância da França nessa modalidade (a prova mais tradicional do mundo é a Volta da França).

No Brasil

O ciclismo no Brasil foi trazido, juntamente com o Futebol, por volta de 1895. Os estádios eram projetados juntamente com velódromos, como ainda ocorre em muitos países. O primeiro velódromo do Brasil ficava situado onde, hoje, se encontra a Rua da Consolação (Zona Oeste de São Paulo).

Nos últimos anos o ciclismo presenciou uma explosão de popularidade, estimando-se que 40 milhões de americanos andam de bicicleta pelo menos uma vez por ano, estima-se também que mais de 27 milhões de adultos andem de bicicleta pelo menos uma vez por semana. Também foi percebido que as vendas de bicicletas ultrapassaram as vendas de automóveis. Entretanto, com esse aumento vertiginoso no interesse pelo ciclismo, ocorreu um aumento inevitável nas lesões.

Estas lesões podem ser divididas em três grandes grupos: trauma agudo, lesões por uso excessivo e opções secundárias a condições ambientais. Embora as lesões agudas variem um pouco dependendo da idade e do sexo do praticante, quase todas as patologias agudas observadas envolvem a extremidade superior. Isso reflete o fato de que a energia gerada por uma queda normalmente é dissipada ao longo do braço estendido. O escafóide é o osso carpiano mais comumente fraturado. O rádio distal também é freqüentemente fraturado. Lesões ocorridas no cotovelo freqüentemente resultarão em fraturas da cabeça do rádio. O úmero, inclusive a parte proximal desse osso, fica relativamente preservada de fraturas. Mas a própria região do ombro sofre traumatismos freqüentes, em decorrência de quedas com o braço esticado, ou diretamente no ápice do ombro.

As regiões de maior preocupação em lesões agudas decorrentes do uso da bicicleta são a cabeça e pescoço. A maioria das hospitalizações causadas por lesões de bicicleta e a grande maioria das mortes decorrentes dessas lesões são secundárias a alguma patologia da cabeça e pescoço. PORTANTO, qualquer evidência de disfunção neurológica ou de queixa no pescoço deve conduzir imediatamente a um transporte muito cuidadoso para uma instituição hospitalar onde possa ser realizada uma avaliação neurológica completa, para que sejam descartadas as possibilidades de problemas sérios em nível intracraniano ou na coluna vertebral cervical.

As lesões por uso excessivo em ciclistas são mais comuns e problemáticas; as áreas principalmente envolvidas são: joelhos, ombros, pescoço, costas, mãos, nádegas e virilhas. Essas lesões por uso excessivo podem ser atribuídas a uma regulagem inadequada da bicicleta (com relação ao ciclista), treinamento inadequado ou excesso de treinamento. No joelho, a principal área de preocupação é o mecanismo extensor, sendo mais comum a tendinite do quadríceps. Outros problemas que devem ser considerados são: tendinite patelar, condromalacia patelar, ou alinhamento defeituoso da patela causado por um trajeto anormal desse osso pela articulação patelofemoral.

No ombro, lesões por excesso de uso refletem o fato de que o peso está sendo sustentado através da articulação do ombro, quando uma pessoa anda de bicicleta. Isso resulta em sintomas do tipo causado por síndrome do impacto, resultantes de bursite subacromial e tendinite do manguito rotador.

A dor do pescoço é uma lesão por uso excessivo muito comum. Ocorre porque a cabeça é mantida numa posição avançada para frente, com extensão crônica decorrente da posição do guidom. Isso resulta em distensão muscular e em dor no ponto de disparo, que freqüentemente se situa na área do elevador da escápula e do trapézio. Do mesmo modo, a parte baixa das costas (região lombar) está sujeita a fadiga e dor crônica devido à posição do corpo na bicicleta.

As nádegas e virilhas são suscetíveis a traumas repetidos, por causa de sua posição no selim da bicicleta, e também pelo calor e transpiração associadas ao treinamento em longas distâncias. Isso pode resultar em alterações cutâneas, e mesmo em infecção, tanto superficial como profunda. Também pode ocorrer disfunção nervosa secundária à pressão, disso resultando dormência, impotência, e outras complicações genitourinárias.

O tratamento das lesões por uso excessivo envolve a correção da regulagem da bicicleta, e as áreas mais importantes são a altura adequada do selim, posicionamento apropriado do selim numa orientação do tipo “proa-popa”, e correção da inclinação e pegada no guidom.
Os erros mais comuns no treinamento que devem ser corrigidos são o uso de cadências demasiadamente lentas e marchas muito altas, em vez de manter uma cadência mais eficiente em termos de energia, por exemplo, aproximadamente 80 rpm nas marchas mais baixas (isso reduz as cargas incidentes no mecanismo extensor do joelho).

O treinamento físico/atlético para as pessoas que desejam pedalar deve conter todas as valências físicas que serão exigidas durante o andar de bicicleta, ou seja: treinamento de força (específico para o ciclismo), treinamento de resistência muscular, treinamento cardiovascular e treinamento de flexibilidade; além de uma adequação da composição corporal para a prática dessa modalidade.

Referências Bibliográficas:
SAFRAN, Marc R. McKEAG, Douglas B. VAN CAMP, Steven P. Manual de Medicina Esportiva. São Paulo: Manole, 2002.

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Sobre o autor

Jeferson Corrêa Porto é professor de Educação Física graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – RS, Mestrando em Atividade Física e Saúde pela Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción” – UC, Especialista em Fisiologia das Atividades Motoras em Academias – ginástica, musculação e hidroginástica pela FUNGLAF/AL, Especialista em Bases Fisiológicas e Metodológicas da Atividade Física Personalizada – Personal Training pela FUNGLAF/AL, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UVA/RJ.

  • Membro Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas Sócio-Jurídicas, GEPSOJUR, UFAL;
  • Membro da Sociedade Brasileira de Personal Training (SBPT);
  • Membro da International Federation of Body Building and Fitness (IFBB);
  • Membro da National Academy of Sports Medicine (NASM);
  • Membro do Colégio Brasileiro de Atividade Física, Saúde e Esporte (COBRASE);
  • Membro da International World Games Association;
  • Pesquisador Cnpq.

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