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Treinos exagerados e muito intensos são sintomas de mal da mesma família da anorexia

sábado, 16 de agosto de 2008 | Fitness | Comentar

O distúrbio leva o nome de vigorexia e traz deformações nos ossos e nas articulações

Tem uma turma que anda transformando o treino diário em motivo de preocupação. Conhecido por vigorexia, o distúrbio que afeta essa gente é da mesma família da anorexia e provoca uma espécie de vício pela ginástica.

Hoje em dia, é um problema difícil de identificar, porque ele confundido com uma inofensiva vaidade ou com o desejo por um corpo bonito e atraente, afirma o personal trainer Rodrigo Cintra, especialista do site Minha Vida.

A psicóloga Márcia Atik, do Centro de Estudos e Pesquisas do Comportamento e Sexualidade, explica que a essa doença surge pela supervalorização física, comum atualmente, e afeta principalmente pessoas com a auto-estima baixa. Pessoas excessivamente competitivas e com baixa auto-estima podem ser deixar levar pelo distúrbio, perseguindo seus limites sem se dar conta do esforço, das dores e dos sofrimentos.

De acordo com a psicóloga, a doença é classificada como um Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) Há uma auto-imagem distorcida, que se coloca na contramão daquilo que se espera de exercícios físicos, é uma dependência perigosa para a saúde.

As principais vítimas do mal são homens, entre 15 e 18 anos. Eles acabam prejudicando o desenvolvimento natural do corpo com os treinos fortes demais. E uma das conseqüências mais notáveis disso é a chamada desproporção displásica, ou seja, quando corpo e cabeça apresentam diferenças de tamanho que causam estranhamento (a cabeça é pequena para o corpo). Problemas ósseos e articulares, devidos ao peso excessivo, falta de agilidade e encurtamento de músculos e tendões são outras conseqüências comuns dos exageros.

Mas os problemas causados pelo transtorno não param por ai. Insônia, irritabilidade, falta de apetite, desinteresse sexual, cansaço excessivo e a dificuldade de concentração também acompanham pessoas vigoréxicas. Tudo pela obsessão em deixar o corpo cada vez mais definido, Rodrigo explica que essas pessoas olham-se constantemente no espelho e, apesar de musculosas, enxergam um reflexo enfraquecido ou distante do que julgam ideal. É uma sensação de incompletude, afirma Rodrigo.

Combinado ao treino muito pesado é comum o consumo de esteróides e anabolizantes. Os alunos fazem isso buscando aparentar mais resultados em pouco tempo, afirma o personal. A ingestão dessas sustâncias aumenta o risco de disfunções sexuais, doenças cardiovasculares e lesões hepáticas, além de diminuir o tamanho dos testículos e favorecer o câncer da próstata. Nos casos graves, chega-se à morte.

A diferença

Antes de acusar seu filho ou sobrinho, no entanto, é importante lembrar que existe uma grande diferença entre o desejo por um corpo sarado e a vigorexia. Uma pessoa vigoréxica sofre de uma dependência exacerbada em relação aos treinos. Ela não avalia o risco de lesões e, se alertada, ignora os avisos.

O uso de substâncias químicas também é comum, afirma o personal trainer. Já quem busca na academia uma forma de viver com mais saúde e prazer consegue discriminar o exagero do treino que faz efeito. Alguém que não é atleta rende muito bem com treino máximos de duas horas diárias. É necessário um dia de descanso das atividades físicas, durante a semana ressalta Rodrigo.

O tratamento da doença deve ocorrer assim que os sintomas forem reconhecidos. Para isso acontecer precocemente, é importante observar quando o prazer e a vontade de treinar são sufocados pela necessidade incondicional de praticar atividades físicas. Quando se torna uma situação corriqueira trocar hábitos saudáveis por treinar, como uma doutrina que amarra sua agenda, é importante procurar um médico ou psicólogo, indica o especialista do Minha Vida.

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Sobre o autor

Jeferson Corrêa Porto é professor de Educação Física graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – RS, Mestrando em Atividade Física e Saúde pela Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción” – UC, Especialista em Fisiologia das Atividades Motoras em Academias – ginástica, musculação e hidroginástica pela FUNGLAF/AL, Especialista em Bases Fisiológicas e Metodológicas da Atividade Física Personalizada – Personal Training pela FUNGLAF/AL, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UVA/RJ.

  • Membro do Laboratório de Cineantropometria, Atividade Física e Promoção da Saúde (LACAPS – UFAL – Campus Arapiraca-AL);
  • Membro Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas Sócio-Jurídicas (GEPSOJUR - UFAL);
  • Membro da Sociedade Brasileira de Personal Training (SBPT);
  • Membro da International Federation of Body Building and Fitness (IFBB);
  • Membro da National Academy of Sports Medicine (NASM);
  • Membro do Colégio Brasileiro de Atividade Física, Saúde e Esporte (COBRASE);
  • Membro da International World Games Association.

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