quinta-feira, 20 de abril de 2006 | Fisiologia | Comentar
O tecido ósseo é um sistema vivo e dinâmico que se adapta às cargas mecânicas impostas pelo exercício. As forças mecânicas regulam tanto a estrutura óssea como o tamanho em combinação com os fatores genéticos, nutricional e bioquímico. Em comparação com outros sistemas, tais como o vascular e o muscular, a adaptação óssea ao exercício é mais lenta e os ganhos de tamanho e resistência são menores. Como resultado, a adaptação óssea é mais difícil de mensurar.
Os benefícios do exercício para o tecido ósseo são, hoje, largamente aceitos, sendo o exercício recomendado na prevenção da osteoporose.
A ativação óssea, por meio de cargas mecânicas, inicia-se com a distorção tecidual (deformação), podendo continuar até atingir alterações de forma e tamanho, de maneira que isso representa a prevenção de deformações maiores e fraturas.
Entre outras funções do esqueleto, esse estímulo possui um importante papel estrutural e de suporte para os movimentos. A força das contrações musculares e as cargas de impacto criam estresse por meio da compressão, da tensão, da torção e cisalhamento no tecido ósseo, resultando em minúsculas distorções, curvaturas ou deformações. O estímulo primário para a ativação óssea é a magnitude da força ou do grau da torção. Outros fatores importantes incluem a freqüência com que o osso é submetido às cargas bem como o ângulo de aplicação da carga. Nos casos de grande força aplicada, são necessárias relativamente poucas repetições para o início da formação, as a resistência diminui e o número de repetições necessárias aumenta exponencialmente. Atividades tais como a ginástica, musculação e ballet, que criam alto impacto e requerem rápida aceleração e desaceleração, envolvendo fortes contrações musculares, aumentam de maneira mais efetiva a massa óssea.
Em indivíduos jovens e saudáveis, os padrões de cargas suportadas pelos ossos regulam a formação e a reabsorção para estabelecer uma massa óssea suficiente e uma estrutura apropriada, prevenindo contra cargas excessivas e fraturas. O formato e o tamanho dos ossos são mantidos, de maneira que existe uma grande margem de segurança entre as cargas máximas durante os movimentos e as cargas responsáveis por algum prejuízo na estrutura óssea. Uma única carga que produz forças superiores ao máximo suportado resulta em algum prejuízo ósseo, enquanto as cargas cinco vezes maiores do que os picos máximos suportado determinam fratura.
Os quatro níveis de adaptação mecânica são desuso, adaptação, leve sobrecarga e sobrecarga patológica. O nível de adaptação representa as cargas diárias normais e as atividades que mantêm, mas não estimulam a neoformação óssea. Esse nível de carga pode estar vinculado às corridas e aos saltos realizados por atletas ou à caminhada para os indivíduos sedentários. O desuso caracteriza-se pela perda das grandes cargas, resultando na diminuição da massa óssea. Isso aparece mais dramaticamente com o repouso de cama, a imobilização ou a ausência de gravidade, ocorrendo também com as alterações no estilo de vida, quando há eliminação das atividades intensas. A perda de massa óssea ocorre com o aumento da atividade osteoclástica sem que haja um aumento correspondente na atividade osteoblástica, resultando no preenchimento incompleto do osso remodelado.
O tecido ósseo se adapta ao aumento de carga pela maior resistência às torções por meio da modelação. A modelação é o processo de crescimento ósseo em que as células de formação óssea (osteoblastos) e as células de reabsorção óssea (osteoclastos) trabalham em diferentes superfícies ósseas modelando e dando forma. Esse processo predomina durante o crescimento de crianças, em que há o aumento do diâmetro e da cavidade medular. Acreditou-se que a modelação ocorria somente em adultos no processo de recuperação de fraturas, mas o exercício tem demonstrado iniciar tal processo (modelação).
Atividades excessivas, nas quais há aplicação de grande cargas, ou nos casos de altas repetições em um período de 2 a 3 semanas são patológicas, podendo causar FRATURAS. O número de repetições para causar fraturas aumenta exponencialmente coma diminuição da carga. Aceita-se que a fratura óssea se dá em apenas uma repetição a 15.000?ª ou após 1 milhão de repetições a 2.000?ª. Essas fraturas são inicialmente identificadas como microtrauma ou fissuras ósseas. O prejuízo interno enfraquece a estrutura óssea, tornando-a mais suscetível à fratura caso haja insistência na aplicação de força.
Evidencia-se a importância de um planejamento bem estruturado, obedecendo as leis que regem o treinamento desportivo para que a prática do exercício físico possa atingir seus verdadeiros propósitos, bem como um acompanhamento por profissionais da Educação Física com comprovada competência.
Fonte: Garret Jr, William E. Kirkendall, Donald T. A Ciência do Exercício e dos Esportes. Porto Alegre: Artmed, 2003.
Jeferson Corrêa Porto é professor de Educação Física graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – RS, Mestrando em Atividade Física e Saúde pela Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción” – UC, Especialista em Fisiologia das Atividades Motoras em Academias – ginástica, musculação e hidroginástica pela FUNGLAF/AL, Especialista em Bases Fisiológicas e Metodológicas da Atividade Física Personalizada – Personal Training pela FUNGLAF/AL, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UVA/RJ.
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Sou estudante de Educação física da Universidade Tiradentes de Aracaju-SE e gostaria de parabenizá-lo pelo site.
É muito interessante e de grande utilidade para nós futuros profissionais da área.