sexta-feira, 02 de novembro de 2007 | Fisiologia | Comentar
Quando se realiza uma atividade física qualquer, vários sistemas fisiológicos atuam sinergisticamente de maneira a manter todas as funções vitais e, ainda, realizar a atividade em questão. Esse entrosamento entre os vários sistemas fisiológicos permite que o sistema cardiovascular garanta quantidades adequadas de nutrientes e oxigênio para os músculos em funcionamento, enquanto que o sistema neuro-endócrino, regula o consumo de nutrientes e a produção de combustíveis para todos os tecidos do organismo.
Sob essa óptica fisiológica, o exercício físico pode ser considerado como um agente de “estresse” porque a atividade física tira o organismo de uma situação de “equilíbrio de repouso” e o coloca em cheque. Se formos olhar mais para trás, nos primórdios da evolução do ser humano (e de muitos outros animais), esse estado de prontidão para ativar sistemas que permitam a atividade física de modo rápido e eficiente tem a ver com a ativação do sistema de fuga-ou-luta (sistema nervoso simpático).
Assim, o exercício físico constitui-se numa “adaptação moderna” para o velho binômio caçar-ou-ser-caçado que é imposto pela natureza e que envolve medo, apreensão, estado de alerta, força física. Enfim, uma situação de estresse generalizado (psíquico e metabólico).
Como conseqüência dessa resposta fisiológica e das adaptações geradas pelo estresse induzido pela atividade física, várias alterações podem ser observadas nos sistemas fisiológicos. E mais: quando se pratica exercícios físicos regulares, o entrosamento inter-tecidual vai se aprimorando, vai se tornando crônico, de maneira que se observa uma espécie de adaptação à carga e ao estresse induzidos pelo exercício.
Ao contrário do que se poderia imaginar a priori, o estresse provocado pelo exercício físico não é uma coisa ruim. Esse estresse envolve a ativação de sistemas de proteção que acabam ajudando o organismo a se proteger de outras situações de estresse. Um desses sistemas é a via das proteínas de choque térmico, HSP (do Inglês, Heat Shock Proteins).
Essas proteínas são produzidas por todas as células em situação de estresse, como estresse térmico (febre, por exemplo) e estresses metabólicos (falta de glicose no sangue, presença de substâncias tóxicas na célula). Com o exercício físico não é diferente. O exercício induz produção de uma classe especial de HSP, as HSP70 que apresentam, pelo menos, dois benefícios claríssimos para o organismo (veja o esquema ao lado): funcionam como auxiliares na ativação do sistema imunológico e bloqueiam a replicação de vírus, incluindo os vírus da imunodeficiência humana adquirida (HIV) que causam AIDS.

Além disso, a atividade física promove alterações no metabolismo dos músculos que passam a produzir e “despejar” na corrente sangüínea grandes quantidades de glutamina, um aminoácido que representa a principal fonte de energia para células do sistema imunológico. Ou seja, quanto mais atividade física (dentro de limites fisiológicos que não beirem o exagero), maior produção de HSP70 e mais glutamina na circulação. O resultado dessa combinação é que o sistema imunológico fica fortalecido, aumentando seu arsenal e poderio de defesa e contra-ataques.
Paralelamente a esses benefícios, a atividade física aumenta a potência cardiorrespiratória e promove bem-estar físico e mental, que, por sua vez, fortalecem ainda mais a resposta imunológica contra agentes invasores. Convém notar, entretanto, que os extremos de atividade física são prejudiciais: enquanto a inatividade física debilita todos os sistemas fisiológicos (incluindo o sistema imunológico), a atividade extrema (muito intensa e de longa duração) também é prejudicial para a fisiologia do sistema de defesa.
Atividades físicas como a maratona, quando não assistidas de perto por profissionais treinados, podem levar a um grande desbalanço imunológico, com aumento da incidência de infecções e depressão imunológica generalizada. Idosos (que tendem a ser mais inativos) têm maior tendência de desenvolver infecções; pacientes submetidos a cirurgias de grande porte tendem a ficar mais debilitados quando sujeitos a um leito de hospital por muito tempo, razão pela qual estes indivíduos, atualmente, são encorajados a não ficarem prostrados.
Resumindo, a atividade física regular e controlada pode ser um grande aliado na luta contra doenças caracterizadas pela depressão imunológica, como é o caso da infecção pelos HIV. A questão, no entanto, é que não existem estudos conclusivos a respeito de “quanto de exercício” se pode “prescrever” a um paciente portador de HIV. É certo que o exercício físico melhora a função imunológica agregando qualidade de vida às pessoas. Entretanto, se a “dose” de exercício for muito alta para um paciente já debilitado pela presença do HIV em seu sistema imunológico, os resultados podem ser desfavoráveis e o indivíduo pode vir a desenvolver AIDS (a doença em si).
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http://chasqueweb.ufrgs.br/~pauloivo/arqs/AIDS/aids-informa%C3%A7%C3%B5es.htm
Jeferson Corrêa Porto é professor de Educação Física graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – RS, Mestrando em Atividade Física e Saúde pela Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción” – UC, Especialista em Fisiologia das Atividades Motoras em Academias – ginástica, musculação e hidroginástica pela FUNGLAF/AL, Especialista em Bases Fisiológicas e Metodológicas da Atividade Física Personalizada – Personal Training pela FUNGLAF/AL, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UVA/RJ.
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gostaria de fazer um trabalho de revisão bibliografica relatando se os doentes de AIDS teriam uma melhor performance ou ate mesmo se suas atividades no dia-a-dia melhorariam com atividades fisicas uma vez que eles se tornam um sedentario pelo fato de sua doença, um estimulo a eles nesta questão daria certo sera que eu consegueria e onde poderia tambem estar conseguindo material para estar realizando este trabalho
muito show de bola esta de parabens
gostaria de adquirir esse trabalho!!!!!!!
obrigado!!!!!!!