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Biomecânica do Ciclismo

quarta-feira, 01 de março de 2006 | Fisiologia | Comentar

O ciclismo é uma forma popular de exercícios usada para condicionamento aeróbio e para esporte competitivo e uma modalidade de reabilitação na terapia física. Na competição o maior enfoque está no desempenho máximo, no qual o ciclista assume uma posição aerodinâmica projetada para minimizar a resistência do vento e maximizar a produção de energia no pé de vela.

A bicicleta combina unicamente o fortalecimento da extremidade inferior na escala de movimentos e o condicionamento cardiovascular, além do controle de articulações, do tendão e do estresse de ligamentos. Os componentes da bicicleta podem ser ajustados para ir ao encontro dos requisitos de um indivíduo no seu estágio de treinamento ou de reabilitação.

LESÕES COMUNS NO CICLISMO

Vários fatores poderiam contribuir para as lesões de sobreuso nos esportes de enduro repetitivo, tal como o ciclismo. Esses fatores incluem aquecimento e resfriamento insuficientes e alterações abruptas ou repentinas na duração, na intensidade e na freqüência do exercício, levando à distensão muscular e do tendão. Os programas de treinamento apropriados deveriam fornecer aumentos graduais na duração, na intensidade e na freqüência. A falta de força e de flexibilidade também parece estar relacionada à lesão e pode ser um fator significativo nas lesões de sobreuso no ciclismo.

Os parâmetros específicos do ciclismo que aumentam o risco de lesões incluem má técnica de condução da bicicleta, treinamento excessivo de subida de colina, quilometragem excessiva em começo de temporada, uso de grandes marchas em pequenas revoluções por minuto, dimensão incorreta da bicicleta e maus alinhamentos das pedaleiras.

Os ajustes do assento do pé de vela e do guidom são importantes para minimizar o acumulo de trauma resultante das lesões por sobreuso. Muitas classificações gerais anatômicas de lesões por sobreuso foram descritas na literatura e incluem tendinite, bursite, neuropatia de compressão, dor no pescoço, síndrome escapular, síndrome do túnel carpal (neuropatia ulnar) e dor dorsal. Também houve relatos de dor no pescoço e nas costas, especialmente quando se assume posições aéreas avançadas na bicicleta, com numerosos estudos documentando a neuropatia ulnar, males relacionados ao selim, neuropatias das partes pudendas e as irritações do períneo.

As dores do dorso e das partes inferiores das costas e do pescoço tornam-se aparentes por razões óbvias, mas a maioria das lesões por sobreuso envolve o quadril, o joelho e o tornozelo. Isso não é adequado para minimizar o suporte das costas no treinamento, e o uso apropriado dos exercícios para o pescoço minimizam as cargas nessas posições aéreas, mas a maioria das mais profundas lesões ocorre nas extremidades inferiores, as quais obviamente produzem as cargas mais altas e experimentam a quantidade maior de cargas sobre as estruturas do tecido conjuntivo dos músculos.

LESÕES DO TORNOZELO E DO PÉ

A incidência de sérias lesões de sobreuso no tornozelo e no pé parece ser baixa. A compressão dos nervos digitais do pé como resultado dos sapatos excessivamente apertados e/ou dos clipes e das correias são as causas conhecidas do adormecimento e da parestesia temporária. O controle desse problema geralmente implica o afrouxamento periódico dos sapatos e das correias, enquanto pedala, como método de alivio.

Baker 1996 (apud Garrett & Kirkendall 2003) discutiu várias lesões por sobreuso no tornozelo e no pé e relacionou especificamente a tendinite anterior da tíbia (TA), a tendinite de Aquiles, a bursite de Aquiles, a fascite plantar e o adormecimento do pé ou do artelho como maiores problemas vindos do prolongado sobreuso no ciclismo. Outros estudiosos sugeriram que a tendinite do tornozelo e a tendinite de Aquiles podem se desenvolver se o selim estiver demasiadamente baixo.

DOR E LESÃO NO JOELHO

A dor no joelho é resultante da mecânica imprópria e da carga repetitiva, sendo o mais comum dos problemas de sobreuso do ciclismo. As lesões de joelho no ciclismo incluem a condromalacia patelar, a tendinite patelar, a síndrome da banda iliotibial, a bursite retropatelar ou pré-patelar, a bursite do pé anserino, a síndrome infrapatelar, a distensão da cápsula medial, a inflamação da plica sinovial e a distensão dos ligamentos lateral, colateral ou medial.

O fator primário que influencia a mecânica do joelho e o potencial subseqüente para danos no tecido é a interface entre o ciclista e a bicicleta, que inclui o alinhamento da placa do sapato, o ajuste da altura para frente e para trás do assento, o comprimento do pé de vela e a posição do tronco determinado para minimizar a resistência do vento. Os fatores secundários relacionam-se com a técnica individual de pedalar, as variações estruturais entre os ciclistas e as assimetrias anatômicas entre os lados direito e esquerdo.

Alguns estudos indicam a condromalacia patelar e a tendinite patelar como as formas mais comuns de dor no joelho perfazendo um total de 64% dos 134 ciclistas estudados.

LESÕES DO QUADRIL

As lesões por sobreuso do quadril no ciclismo são raras. Porém alguns estudos sugerem que a bursite trocantérica e a tendinite do iliopsoas pudessem se desenvolver quando o assento estivesse colocado demasiadamente alto.

Fonte: Garret Jr, William E. Kirkendall, Donald T. A Ciência do Exercício e dos Esportes. Porto Alegre: Artmed, 2003.

10 comentários

  1. Ola artigo muito exelente !
    Olá estou fazendo uma monografia de ciclismo sua historia e seus beneficios ..que saber se vc naum tinha um arquivo interesante para mim ..

  2. Realmente ótimo artigo! sou estudante de educação física e praticante do esporte… estou postando o link em um forum pois uma discurssão foi levantada…Abraços

  3. Sandro Cerqueira

    Caro Jeferson, sua materia é otima! Sou estudante de Ed.Física, e sou ciclista de Mountain Bike desde 1991, já li todos os artigos possiveis no campo do ciclismo, mais hoje procuro me especializar em bike Fit pois são poucos profissionais no mercado que tem conhecimento para fazer um bike fit perfeito. Um dos problemas mais comuns é altura incorreta do selim e posicionamento do pé sobre o eixo do pedal e recuo ou avanço do selim para dar o devido alinhamento das articulações do joelho. Fui gerente do setor de bike de uma grande rede de loja esportiva, muitos dos vendedores não tem este cohecimento e treinamento adquado para dar uma orientação para o cliente.; por isso eu dava a orientação final sobre posicionamento e tamanho da bike. Agradeço pela materia pois esta vai me servir como tema de estudo para que eu possa me especializar cada vez mais.

  4. Manoel Fernandes

    Parabéns pelo artigo! Bastante esclarecedor e de fácil e rápida leitura sem deixar de ter o aprofundamento necessário.

  5. Olá amigo, sou de Porto Alegre e estou procurando local para fazer um bike fit, você faz este trabalho ou conhece algum local que possa me indicar?

    Abraço,
    Rafael.

  6. Ricardo Alves

    sou cicloturista a muitos anos, sou estudante de Ed. Fisica, e tenho planos de trabalhar com personal biker, gostaria de alguns toques de que forma poderia iniciar este novo desafio.Ricardo…. São Paulo-sp

  7. Prezado Ricardo, adicionei seu e-mail no msn, lá poderemos conversar sobre o assunto que você abordou no post acima. Um abraço.
    Obrigado pelo contato.
    Prof. Jeferson Porto

  8. É comum a ocorrência de fasceite plantar no ciclismo? Por que? Agradeço desde de já.

  9. Thales, não deveria estar ocorrendo esse problema, assim você deve consultar os professores da academia onde você treina, ou então, caso não treine em academias, um profissional de Ed. Física para analisar seu programa de treinamento. Pois você pode estar treinando em demasia em detrimento de um repouso adequando. É necessário analisar toda sua programação. Um abraço. Volte sempre.
    Prof. Jeferson Porto

  10. Thales, quais modalidades desportivas você pratica? Com que frequência? Quanto tempo de experiência você tem com as atividades praticadas? Espero seu retorno. Um abraço.
    Prof. Jeferson Porto

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Sobre o autor

Jeferson Corrêa Porto é professor de Educação Física graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – RS, Mestrando em Atividade Física e Saúde pela Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción” – UC, Especialista em Fisiologia das Atividades Motoras em Academias – ginástica, musculação e hidroginástica pela FUNGLAF/AL, Especialista em Bases Fisiológicas e Metodológicas da Atividade Física Personalizada – Personal Training pela FUNGLAF/AL, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UVA/RJ.

  • Membro do Laboratório de Cineantropometria, Atividade Física e Promoção da Saúde (LACAPS – UFAL – Campus Arapiraca-AL);
  • Membro Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas Sócio-Jurídicas (GEPSOJUR - UFAL);
  • Membro da Sociedade Brasileira de Personal Training (SBPT);
  • Membro da International Federation of Body Building and Fitness (IFBB);
  • Membro da National Academy of Sports Medicine (NASM);
  • Membro do Colégio Brasileiro de Atividade Física, Saúde e Esporte (COBRASE);
  • Membro da International World Games Association.

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