quarta-feira, 31 de agosto de 2005 | Esportes Radicais | Comentar
O rapel consiste no uso de uma série de procedimentos e equipamentos visando uma perda gradativa de energia potencial, de maneira controlada, na passagem vertical de um ser humano entre dois níveis de altitude. Em outras palavras: São técnicas de descida vertical em corda.
Derivado do alpinismo, o rapel tem origem na França, inicialmente criado para a busca de pessoas perdidas nos Alpes. Hoje, apresenta diversas subdivisões e adaptações à geografia dos países aonde vai sendo introduzida e se tornando popular.
O Brasil, por suas características tropicais e grande riqueza fluvial, se presta muito bem à exploração consciente e prática do esporte; Esta é uma mania que vem conquistando mais adeptos a cada dia.
Existem mesmo aqueles que, não estando ao alcance de uma bela cachoeira, se prestam a procurar um tipo de rapel urbano, utilizando inclusive como técnicas de salvamento e resgate.
É o tipo de rapel mais simples de ser executado, como o próprio nome diz, ele é feito em uma parede ou pedra com menos de 90º de inclinação. Ele serve de base para os outros tipos, e é nele que nós nos familiaremos e sentiremos segurança no equipamento.
Não se difere muito do visto acima, tendo suas grandes diferenças apenas na saída, onde dependendo do ponto de fixação da corda, poderemos ter um alto nível de força no baldrier (cadeirinha) devido a passagem do plano horizontal para o vertical. E um outro fator a ser considerado é uma maior pressão no freio.
Este tipo de rapel é um dos mais praticados, deve-se isto ao fato de ser um rapel que é feito em “livre” ou seja, sem o contato dos membros inferiores com qualquer tipo de “meio”(pedra, parede, etc). O seu ponto crítico é a saída, pois temos que ficar quase de cabeça para baixo e é quando temos um nível muito alto de pressão no baldrier e no freio, devemos ter também uma grande atenção na velocidade de descida, pois ela aumenta fácil e rapidamente.
Rapel Invertido Negativo.
Feito nas mesmas condições do visto anteriormente, sendo que após a saída, toma-se posição invertida (de cabeça para baixo). Deve-se antes executar a manobra, mentalizar os procedimentos, pois você estará em uma posição invertida assim como os comandos do freio, além é claro da facilidade do aumento de velocidade.
Nas mesmas condições que os outros, sendo agora de frente para a descida (tipo o filme Soldado Universal), além de dar mais “medo” deve-se tomar cuidado na hora do freio quanto a posição do corpo e a elasticidade da corda, pois estamos em uma posição em que podemos facilmente perder o equilíbrio.
Podemos encontrar aqui diversos tipos de descida (quanto a posição de descida). Mas o principal aqui é alertar quanto ao fato de estarmos descendo em pedras escorregadias que ao menor descuido nos fará perder o equilíbrio e trará conseqüências imprevisíveis. Também devemos considerar a força da queda d’água. Não é qualquer cachoeira que nós podemos nos enfiar debaixo, devemos ter prudência na hora de escolhermos, pois se entrarmos embaixo de uma “tromba d’água” teremos conseqüências desastrosas, como não conseguir frear.
Rapel este que teremos que fazer “escalas” ou seja, desceremos com a corda dobrada e a prenderemos em um outro ponto de fixação (pelo menos três metros antes do final da corda) a descida deverá seguir uma seqüência que é normalmente estabelecida antes de ser iniciada. Como norma de segurança, deve-se amarar as pontas da corda com um nó de pescador e colocar ali um mosquetão, procedimento este que em caso de perdermos o controle da descida, ficaremos presos no final da corda, evitando uma queda que seria fatal.
Principalmente quando se trata de equipamento de segurança, toda compra merece a máxima atenção. Uma calça pode eventualmente se rasgar e deixar-nos em situação embaraçosa, mas uma corda, por exemplo, não pode se romper. Devemos, portanto, colocar qualidade e segurança sempre em primeiro lugar. O equipamento de fato é caro, mas, bem cuidado, pode vir a proporcionar muitos anos de utilização segura.





Embora existam cordas de fibras naturais (cânhamo, seda, algodão etc.), as utilizadas em Rapel são fabricadas com fibras sintéticas, como o náilon e o perlon, pela sua resistência.
A escolha dos materiais sintéticos também está relacionada à sua resistência aos agentes da natureza. Embora eles sofram à ação da luz (principalmente dos raios ultravioleta) e de agentes químicos como os solventes e combustíveis, não apodrecem por ação biológica. Além disso, eles são mais leves, absorvem pouca água e aceitam melhor os nós.
O diâmetro da corda também é um fator importante. São recomendadas as de 10, 10,5 ou 11 mm, o seu comprimento pode variar de 40 a 80 e até 100, mas o comprimento mais comum é de 50m.
A maioria das cordas estrangeiras possui o selo da UIAA- Union Internationale d’ Associations d’ Alpinisme-, uma entidade que engloba escaladores e fabricantes, e submete as cordas e demais equipamentos de escalada a rigorosos testes de segurança. Isso vem garantir a qua1idade desses equipamentos. No caso da corda, e1a é testada para suportar até 3000 Kgf.
Uma corda pode durar toda a sua vida sem precisar ser lavada. No entanto quando ela estiver suja de lama ou areia, deve ser lavada para que as partículas de terra entranhadas nas suas fibras sejam retiradas. Neste caso, encha um tanque ou bacia com água fria, coloque a corda de molho e não use nenhum tipo de sabão. Evite esfregar ou torcer, tire e ponha-a dentro d’água diversas vezes e troque a água com freqüência até que no ultimo banho ela saia praticamente limpa. Deixe-a secando frouxa, em local fresco à sombra.
Direitos Autorais: www.rapel.net
Jeferson Corrêa Porto é professor de Educação Física graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – RS, Mestrando em Atividade Física e Saúde pela Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción” – UC, Especialista em Fisiologia das Atividades Motoras em Academias – ginástica, musculação e hidroginástica pela FUNGLAF/AL, Especialista em Bases Fisiológicas e Metodológicas da Atividade Física Personalizada – Personal Training pela FUNGLAF/AL, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UVA/RJ.
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