quarta-feira, 21 de maio de 2008 | Esportes Aquáticos | Comentar
O Pull Boy (ou ainda Pullboy, Pull Bóia ou simplesmente Flutuador) é um implemento de trabalho que utilizamos basicamente quando queremos concentrar nossa atenção ou esforços na ação dos braços dos diferentes nados.
Usado criteriosamente (me desculpem a redundância, pois TODO implemento deve ser SEMPRE usado criteriosamente) o Pull Boy pode ser aplicado tanto em fases mais adiantadas de aperfeiçoamento e treinamento, como em aulas de aprendizagem de Natação. O que vai mudar evidentemente é o objetivo com que ele é utilizado. Nos atletas mais avançados, e portanto que já tem um padrão de braçadas mais correto e fixado, a intenção quase sempre é criar uma sobrecarga no trabalho de braços para fortalecimento e condicionamento muscular dos membros superiores, ombros e peitorais superiores.


Acima, os dois principais modelos de Pull Boy a venda no mercado
Nas etapas mais iniciantes, entretanto, o objetivo via de regra é restringir a propulsão do nadador ao trabalho de braços (principalmente nos nados alternados – Crawl e Costas) para que tanto o professor como os alunos possam focar sua atenção nesta parte do nado e fazer as devidas correções. E é justamente aqui que gostaria de fazer um pequeno alerta: para que o nadador possa focar a sua atenção no trabalho de braços de forma a percebê-lo e corrigi-lo, é necessário que o Pull Boy seja usado corretamente, caso contrário, o efeito pode ser o inverso.
Vejamos. Os estudos nos mostram que o batimento alternado de pernas do Crawl e do Costas contribui para os seus respectivos nados com três componentes: propulsão, sustentação e equilíbrio. A componente Propulsão, apesar de minoritária em termos percentuais se comparada à dos braços, precisa ser eliminada pois queremos exatamente que apenas os braços desloquem o nadador. A componente Sustentação será substituída pelo empuxo da água sobre o próprio implemento. Estes flutuadores são feitos quase que invariavelmente em microespuma de PVC e, portanto têm densidade muito abaixo da da água, ou seja, seguros pelas pernas do nadador, ajudarão a manter seu quadril sempre à superfície.
Resta, portanto, a componente Equilíbrio, que para uma criança em fase de aprendizado é decisiva para um bom padrão motor de nado. Somente bem equilibrada a criança terá tranqüilidade de executar uma boa oscilação de ombros e focar sua atenção na ação de braços. Dessa forma é fundamental que o flutuador seja utilizado: 1. Bem alto, junto ao quadril, o que equivale dizer, o mais próximo possível do centro de gravidade; 2. Acompanhado de suave batimento de pernas, quase sempre executado de forma pouco consciente e em freqüência bem baixa (2 por 1 ou mesmo 1 por 1, também chamado de batimento cruzado ou de travessia).
Este batimento suave não chega a ser propulsivo (e nem o queremos assim), não é sustentador (também não necessitamos disso), mas será suficientemente equilibrador para que o aluno possa direcionar sua atenção para o objetivo do exercício, seja ele qual for. Se o batimento de pernas ocorrer espontaneamente, ótimo: nada diga e concentre-se na ação de braços. Se não, oriente que seja feita uma ação alternada “bem solta” de pernas, mas concentre atenção e corrija braçadas, respiração, etc.
Já presenciei inúmeras vezes profissionais solicitarem a seus alunos, ainda iniciantes, que usem o flutuador na altura dos joelhos ou até abaixo deles. Ora, com o Pull Boy muito deslocado do centro de gravidade e com as pernas totalmente imobilizadas (pois qualquer movimento provoca a soltura do flutuador e consequentemente a interrupção do exercício), o nadador perde muito de seu equilíbrio e, para recuperá-lo, acaba executando braçadas inseguras, sem finalização, exageradamente abertas desde o “ataque”, ou mesmo deslocando-se em ziguezague. Na busca de solucionar um problema, cria-se outros.
Para alunos, portanto, ainda em fase de aquisição técnica dos nados, reforço sempre que o uso do flutuador e batimentos alternados de pernas não são itens mutuamente excludentes, mas podem e devem ser utilizados simultaneamente para “liberar” o nadador para concentrar-se em outro componente do nado.
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Jeferson Corrêa Porto é professor de Educação Física graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – RS, Mestrando em Atividade Física e Saúde pela Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción” – UC, Especialista em Fisiologia das Atividades Motoras em Academias – ginástica, musculação e hidroginástica pela FUNGLAF/AL, Especialista em Bases Fisiológicas e Metodológicas da Atividade Física Personalizada – Personal Training pela FUNGLAF/AL, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UVA/RJ.
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Alguns modelos de pull boy possuem dimensões diferentes nas extremidades. Ao utilizarmos esse modelo como devemos posicionar o lado maior: para cima ou para baixo?
Qual a origem do nome pull boy? Pull não seria uma alteração de pool(piscina)?
Prezada Soraya, corforme orientação do Prof. Roberto Nascimento, segue as respostas abaixo:
1) As duas extremidades devem ser usadas para baixo ou para cima, de acordo com o objetivo do exercício. Se o mesmo requer flutuação das pernas para execução de exercícios de braçada, deve-se usar a extremidade maior. Se o exercício requer maior resistência na braçada e menor flutuação das pernas, usa-se a menor extremidade.
2) O nome correto é pull buoy e o pull não é variação de pool (piscina). Na verdade seria bóia de remada (pull é um substantivo que em inglês também significa remada e buoy é boia).
Um abraço. Volte sempre…