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Recuperação aérea dos braços no nado Crawl

quarta-feira, 10 de setembro de 2008 | Esportes Aquáticos | Comentar

Um detalhe que volta e meia assombra os professores de Natação é o fato de que muitas vezes assistimos algum supercampeão executando uma ação motora que em princípio fere os paradigmas biomecânicos e hidrodinâmicos e, ainda assim, vence a sua prova ou até mesmo estabelece novo recorde mundial.

Seja pelo conflito estritamente pessoal (estarei eu ensinando certo? O que aprendi na Faculdade está errado?), seja pelo fato de que muitas vezes somos questionados por nossos alunos (mas professor, outro dia eu vi o fulano nadar assim e ele venceu a prova!), sempre que um nadador tem sucesso atuando com uma técnica digamos “não correta”, surge o dilema: devo valorizar mais os estudos físicos e suas conclusões (visão dogmática do problema) ou devo render-me aos fatos e deixar que em muitos casos os alunos nadem como melhor lhes convier (visão mais pragmática).

Um detalhe técnico no qual isso é bastante comum é a recuperação aérea dos braços no nado Crawl. Freqüentemente assistimos a velocistas ganharem provas e medalhas com uma recuperação de braços estendidos acima d’água, e não com o cotovelo sempre mais alto que as mãos como nos ensinam os livros. Como é que fica? O que devemos ensinar? Abaixo, ilustrações dos dois padrões de movimento:

Bem, este é um assunto muito controverso entre nós, profissionais da área, mas acredito que neste caso há dois aspectos a serem considerados. O primeiro é o tipo de prova, e conseqüentemente de movimento, que o atleta está executando.
Notadamente nas provas de velocidade (50 e 100 metros), a tendência é que a recuperação dos braços seja feita tão rapidamente que ela perca a sua característica de movimento “conduzido”, para tornar-se um movimento “lançado”. Isso faz com que o antebraço seja projetado à frente mais alto que o braço e cotovelo. A necessidade de incrementar a freqüência de braçada para ganhar velocidade e deslocamento se sobrepõe à diretriz técnica e a recuperação muitas vezes assume uma configuração estendida e não fletida. Tanto isso é verdade que este fenômeno é extremamente raro em provas de 400m ou mais, onde a freqüência de braçada é significativamente menor.

Outro aspecto a ser observado é que vitórias e recordes (mundiais ou olímpicos) muitas vezes não são sinônimos de estilos tecnicamente perfeitos. Muito pelo contrário, o mais principiante dos professores de natação notará sempre que assistir a uma competição de nível internacional que lá há inúmeros nadadores nadando com erros até de certa gravidade. Cabeças muito elevadas no nado Peito, batimentos de pernas insuficientes ou até inexistentes, ritmos de braçadas inconstantes, oscilações insuficientes de ombros no nado Costas, e assim por diante.

Isso não significa que os erros deixaram de ser erros, mas somente que estes atletas, apesar das incorreções técnicas, conseguiram superar essas deficiências em sua preparação, compensando-as com força, velocidade, determinação, etc. Se conseguirem um dia, apesar de já estarem onde estão e de serem quem são corrigir seus nados ou mesmo minimizar os desvios de movimento, nadarão ainda mais rápido.

Direitos Autorais
Professor Bona

http://blog.educacaofisica.com.br/dentrodagua/index.asp

1 comentário

  1. Muito bom este artigo… esclaresse aquilo que a televisao apresentou a todos e nao explicou os detalhes..alem de mostrar que o esporte de rendimento e difrente da aula de nataçao…nas aulas os professores ensinam o movimento e os nadadores os execultam da melhor forma para o rendimento deles… muito bom mesmo…

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Sobre o autor

Jeferson Corrêa Porto é professor de Educação Física graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – RS, Mestrando em Atividade Física e Saúde pela Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción” – UC, Especialista em Fisiologia das Atividades Motoras em Academias – ginástica, musculação e hidroginástica pela FUNGLAF/AL, Especialista em Bases Fisiológicas e Metodológicas da Atividade Física Personalizada – Personal Training pela FUNGLAF/AL, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UVA/RJ.

  • Membro Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas Sócio-Jurídicas, GEPSOJUR, UFAL;
  • Membro da Sociedade Brasileira de Personal Training (SBPT);
  • Membro da International Federation of Body Building and Fitness (IFBB);
  • Membro da National Academy of Sports Medicine (NASM);
  • Membro do Colégio Brasileiro de Atividade Física, Saúde e Esporte (COBRASE);
  • Membro da International World Games Association;
  • Pesquisador Cnpq.

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