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Envelhecimento, Consumo Alimentar e Qualidade de Vida

Publicado em outubro 20, 2008 | | Deixe um comentário

FONSECA, D.H.L. da UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, FORTALEZA – CE – BRASIL.

O artigo de revisão tem por objetivo discutir, com base na literatura especializada no período de 1987 a 2005, o envelhecimento da população do Brasil com o intuito de descrever o perfil dos idosos e as principais alterações decorrentes do processo de envelhecimento e situações adversas (consumo alimentar, assistência em saúde, variáveis sociais e econômicas) que comprometem a qualidade de vida desta população.

PERFIL DOS IDOSOS BRASILEIRO

Em 2000, o percentual de idosos, no Brasil, representava 8,6%, com igual idade ou superior a sessenta anos; e os idosos jovens, ou seja, a faixa etária de 60 a 69 anos, ainda constituem a maioria.12 A predominância feminina é observada em todas as faixas etárias, em especial entre os idosos com 80 anos ou mais. O grau de alfabetismo dos idosos brasileiros é baixo, principalmente entre as mulheres. Os analfabetos correspondiam a 33,2% em 2002 e no grupo de idosos sem escolaridade formal, as mulheres correspondem a 35,3% em 2002.

De acordo com os dados da PNSN/89, o perfil nutricional dos idosos brasileiros foi analisado a partir da distribuição dos valores de Índice de Massa Corporal – IMC ( Kg/m2 ). A freqüência de magreza foi maior nas faixa de idade mais avançadas, com ligeira predominância para as mulheres. A prevalência geral de sobrepeso também foi maior entre as mulheres em comparação ao homens idosos, e também existem mais prevalência de sobrepeso do que de magreza entre os idosos. Os problemas sociais, econômicos e de saúde dos idosos são, em grande parte, os das mulheres idosas, que vivem mais que os homens. Ao se tornarem viúvas, dificilmente encontram novo companheiro, sofrem mais de solidão e depressão, têm menores níveis de instrução e renda, e apresentam um maior número de queixas e problemas de saúde.

FATORES QUE AFETAM O CONSUMO DE NUTRIENTES E A QUALIDADE DE VIDA NOS IDOSOS

  1. Fatores socioeconômicos;
  2. Alterações fisiológicas;
  3. Alterações no funcionamento do aparelho digestivo;
  4. Alterações na percepção sensorial;
  5. Alterações na capacidade mastigatória;
  6. Efeitos secundários dos fármacos;

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pesquisa sobre o consumo alimentar do idoso tem o papel de ir além da análise qualitativa e quantitativa, e da realização do planejamento dietético alimentar. Faz-se necessário aprofundamentos em todas as divergências que ocorrem diante do processo do envelhecimento. As mudanças fisiológicas, fatores econômicos, psicossociais e intercorrências farmacológicas agrupadas às múltiplas doenças exercem bastante influência no consumo alimentar e, sobretudo, na necessidade de nutrientes.

Diversas indústrias de alimentos estão investindo em tecnologia para a produção de formulações, suplementos e produtos alimentícios voltados para as carências nutricionais e funcionais do idoso, porém, o avanço tecnológico nesta área não poderá substituir atitudes simples, como servir as refeições em local agradável, sentar o idoso confortavelmente à mesa em companhia de outras pessoas, melhorando a auto estima do idoso, influenciando, positivamente, proporcionando mais prazer com a alimentação.

O apoio associado ao investimento em alimentação apropriada ( formulações, suplementos, acompanhamento nutricional ) e intervenções no estilo de vida contribuirão, para o consumo alimentar desse grupo populacional e, conseqüentemente, auxiliarão na melhoria do seu estado nutricional e qualidade de vida.