Temperatura Ambiente x Desempenho Ótimo Durante a Prática Desportiva
Uma das novas tendências nas academias de Maceió é a climatização dos ambientes, em alguns casos todas as instalações desses centros desportivos estão sendo climatizadas e em outros casos apenas alguns ambientes estão sofrendo essa influência. Mas é necessário uma discussão um pouco mais detalhada para não estarmos prejudicando a prática desportiva por um “modismo” sem conteúdo.
As academias e outros centros desportivos são frequentadas pelos mais variados tipos e estilos de pessoas, com necessidades especiais e com faixas etárias das mais variadas possíveis, incluindo jovens, adultos, idosos, gestantes, obesos, hipertensos, mulheres em período pós menopáusico e assim por diante. E se formos adequar esses ambientes para as necessidades de cada perfil desses frequentadores não teremos uma conduta que possa satisfazer a todos. Dessa forma, vamos fazer uma análise desse espaço.
O Ambiente Desportivo
A sessão de exercício deverá ser realizada em um ambiente de dimensões características apropriadas. O ambiente deverá ser suficientemente amplo, com uma altura de pé direito mínima de 250 cm, amplamente iluminado e bem ventilado. As condições climáticas ideais situam-se em uma temperatura ambiente entre 22 e 25º Celsius e uma umidade relativa do ar entre 40 e 65%. Ventiladores de teto ou de parede e condicionadores de ar podem ser eventualmente utilizados para auxiliar no controle térmico do ambiente. Para efeitos de dimensionamento da capacidade de refrigeração do ambiente, deve-se considerar que cada indivíduo em exercício produz uma quantidade de calor bastante alta, podendo alcançar, dependendo da intensidade do exercício, valores correspondentes entre 2 a 12 indivíduos em repouso (PORTO, 2008).
A Relação da Temperatura Ambiente com a Fisiologia do Exercício
Quando estamos nos exercitando, todos nossos sistemas de controle estão trabalhando acima das condições de repouso para atender a demanda oriunda da prática desportiva, dessa forma posso citar o sistema respiratório, circulatório, endócrino dentre vários outros, caso esses sistemas não estiverem trabalhando em condições favoráveis, a prática desportiva ficará comprometida.
Mediante a prática do exercício físico estamos levando nosso organismo para um estado de desequilíbrio, alterando a homeostase (equilíbrio) que predomina nas condições de repouso. Essa quebra da homeostase faz com que nosso organismo produza em maior quantidade inúmeras substâncias, como a noradrenalina, adrenalina (que produz vasoconstrição, aumenta a resistência dos vasos e artérias para a passagem do sangue, e aumenta a frequência cardíaca), o cortisol que potencializa a ação da adrenalina (vasoconstrição), dentre tantos outros.
Quando essas substâncias são produzidas em grandes quantidades, poderão prejudicar a prática desportiva, como por exemplo: a produção excessiva de cortisol, que poderá ocorrer na presença de frio ou calor intenso. O cortisol quando produzido em quantidades normais não atrapalha a prática do exercício físico, mas quando é sintetizado em demasia, o que depende de vários fatores, como por exemplo: a glicemia sanguínea, a intensidade do treinamento, a duração do mesmo, o tipo de exercício praticado, estado nutricional, ritmo circadiano, nível de condicionamento físico dos praticantes, poderá ser prejudicial para um desempenho ótimo durante a atividade física.
A produção excessiva de cortisol poderá desencadear dentre outros efeitos colaterais, os seguintes:
- Atrofia cerebral;
- Um dos causadores da Doença de Alzheimer;
- Maior catabolismo, ou seja, maior “destruição” do nosso organismo em relação á prática desportiva;
- Pode desenvolver um déficit de memória, principalmente em indivíduos estressados;
- Maior depósito de gordura na região abdominal.
Sendo assim, além de termos os tradicionais cuidados e o devido controle da frequência cardíaca durante a prática desportiva, deveremos ter um controle da temperatura ambiente, para que a mesma possa auxiliar na execução das atividades e não se tornar em mais um obstáculo para que essa prática possa ser realizada de forma prazerosa, segura e eficiente.
No twitter: http://twitter.com/JefersonCPorto












Jeferson, sou professor de Educação Física e atualmente estou cursando pós-graduação em Fisiologia do esforço. Parabéns pelos artigos super esclarecedores sobre saúde, desempenho e qualidade de vida. Também estou com um blog sobre futebol (futebolinternauta.blogspot.com)
Abraço!!!