Exercício Físico – Envelhecimento – Incapacidade Funcional
O envelhecimento da população levanta várias questões fundamentais para os formuladores de políticas. Como podemos ajudar pessoas a permanecerem independentes e ativas à medida que envelhecem? Como podemos encorajar a promoção da saúde e as políticas de prevenção, especialmente aquelas direcionadas aos mais velhos? Já que as pessoas estão vivendo por mais tempo, como a qualidade de vida na Terceira Idade pode ser melhorada? (WHO, 2002).
O envelhecimento da população é um fenômeno mundial. Atualmente, esse processo ganha maior importância nos países em desenvolvimento, com o aumento acelerado da população de sessenta anos e mais em relação à população geral. Aumentos de até 300% da população idosa são esperados nesses países, especialmente na América Latina.
O Brasil, no ano de 2025, será o 6º país que terá mais de 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, precedidos de Japão, Estados Unidos, CEI, Índia e China (MAZO et al., 2004 apud PORTO, 2008).
O Brasil apresenta um dos mais agudos processos de envelhecimento populacional entre os países mais populosos. A proporção de pessoas idosas com sessenta anos e mais aumentou de 6,1% (7.204.517 habitantes), em 1980, para 8,6% (14.536.029 habitantes) em 2000, correspondendo a um aumento absoluto de 7,3 milhões de indivíduos (IBGE, 1981, 2001 apud PORTO, 2008).
Nesse contexto, a incapacidade funcional tem chamado á atenção dos especialistas, pois notadamente tem trazido inúmeros prejuízos para a saúde dos indivíduos considerados idosos, ou seja, pessoas com 60 anos ou mais.
A incapacidade funcional tem sido definida como a restrição na capacidade para realizar as atividades normais da vida cotidiana. É um conceito particularmente útil para avaliar as condições de saúde dos idosos, já que muitos desenvolvem doenças crônicas que variam em impacto sobre a vida cotidiana.
A incapacidade funcional é frequentemente avaliada através de autodeclaração de dificuldade, ou de declaração indicativa de necessidade de ajuda, em tarefas básicas de cuidados pessoais (Atividades da Vida Diária, AVDs) e em tarefas mais complexas, necessárias para viver de forma independente na comunidade (Atividades Instrumentais da Vida Diária, AIVDs).
A prevalência de incapacidade funcional moderada entre os idosos, nas mesorregiões do Brasil, apresenta padrões semelhantes aos apontados pelas informações da PNAD (Programa Nacional de Amostragem de Domicílios), embora seja possível obter, com as informações do Censo Demográfico, um retrato bem mais detalhado da condição funcional dos idosos.
O que chama a atenção é a desigualdade, mostrando que os idosos moradores das áreas do nordeste do País encontram-se em séria desvantagem quanto à condição funcional, quando comparados com os demais. Já os idosos no Rio Grande do Sul, unidade da federação que apresenta a segunda maior expectativa de vida do país, apresentam prevalência de incapacidades bastante diferenciadas.
As taxas de prevalência de incapacidade funcional dos idosos mais pobres (até 1 salário mínimo per capita) são maiores do que as dos idosos com renda mais elevada (mais de 5 salários mínimos per capita), variando de 58% a 61% e de 15% a 33%, respectivamente, nas mesorregiões. Isso é compatível com os resultados dos estudos sobre o tema, que mostram que a renda está associada com a incapacidade funcional de forma inversa: aumento da renda e diminuição da incapacidade funcional (Parahyba e Melzer, 2004 apud Parahyba e Crespo, 2008). Entretanto, mesmo entre os idosos com nível de renda mais elevado, a taxa de prevalência alcança 32% em algumas áreas, principalmente no nordeste e no norte do país.
Prevalência de incapacidade funcional moderada
Maceió/AL (28,2%), entre os homens, têm as mais altas taxas de incapacidade funcional do Brasil, e entre as mulheres (37,2%) Maceió/AL apresenta a segunda taxa mais elevada do país. Se formos analisar por faixa etária, então os escores são os seguintes: dos 60-69 anos Maceió/AL (25,9%) são as mais altas taxas de incapacidade funcional da nação; dos 70-79 anos Maceió/AL (38,2%), apenas a cidade de Palmas/TO apresenta escores superiores (47,1%); e dos 80-89 anos Maceió (57,3%) ficando atrás apenas de Rio Branco/AC (58,2%) e Teresina/PI (62,7%).
As mulheres, os mais idosos e os mais pobres declaram maior prevalência de incapacidade funcional, o que é compatível com os estudos sobre o tema, tanto no Brasil como em outros países (Parahyba e Crespo 2008).
Sendo assim, evidencia-se a urgência da criação de políticas públicas que possam amenizar e/ou solucionar esse processo, o qual a prática do exercício físico bem orientado, se apresenta como uma das formas mais seguras e baratas para o combate aos efeitos deletérios do processo de envelhecimento, que inúmeras vezes têm seu ápice na instalação da incapacidade funcional dentre tantos outros problemas.
Capacidade Funcional e Exercícios Físicos
Dois terços, ou no mínimo, metade da capacidade funcional de indivíduos idosos é sensível às estratégias de intervenção com exercício físico (Carmelli D, et al., 2000; Christensen K, et al., 2000; Frederiksen K, et al., 2002; Guralnick JM, et al., 1995 apud Razo, 2007).
O American College of Sports Medicine, em posicionamento oficial que aborda a temática da atividade física para pessoas idosas, declara que “os exercícios com pesos e os de equilíbrio devem preceder os exercícios aeróbicos, que é, infelizmente, o inverso do que se faz hoje”; e completa, “antes de caminhar, o idoso deve ser capaz de se levantar de uma cadeira (necessita de potência muscular) e manter uma postura ereta enquanto se movimenta em um espaço (requer equilíbrio)” (Razo, 2007).
A potência de extensão do joelho (exercícios executados no treinamento de força muscular), explica 86% da velocidade de caminhada de pessoas idosas, e, como consequência, exerce influência direta na capacidade funcional e na qualidade de vida atual e prospectiva do indivíduo idoso (Bassey EJ, et al., 1992 apud Razo,2007).
Dois meses de adesão a um programa de exercícios com pesos são suficientes para reverter 20 anos de perda de força e massa musculares associadas ao envelhecimento (Fiatarone-Singh MA, et al.,1999 apud Razo, 2007).
Existe maior prevalência de lesão quando idosos são submetidos a um programa de treinamento que consisti de caminhada e jogging (42,9%) do que quando participam de um programa de exercícios com pesos (8,6%), isso sendo orientados por profissionais experientes no treinamento de indivíduos idosos (Pollock ML, et al., 1991apud Razo, 2007).
O indivíduo fisicamente ativo leva mais tempo para alcançar a incapacidade e/ou dependência funcional, necessitando, portanto, de cuidados médicos tanto agudos como crônicos somente nos anos finais de vida. Além disso, a atividade física e o exercício físico para o indivíduo idoso fisicamente ativo pode também servir como fator protetor, de modo que o idoso, não sobreviva ao ponto de requerer cuidados médicos especiais ou ao ponto de alcançar falência funcional (Shephard RJ, 1991 apud Razo, 2007).
Fonte:
RAZO, Vagner. Envelhecimento Saudável – manual de exercícios com pesos. 1ª edição – São Paulo – 2007.
PARAHYBA, Maria Isabel. CRESPO, Cláudio Duarte. Diferenciais sociodemográficos na incapacidade funcional dos idosos no Brasil: uma análise das informações do censo demográfico. Trabalho apresentado no XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambu-MG – Brasil, de 29 de setembro a 03 de outubro de 2008.
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