Os Benefícios do Esporte na Infância
Inúmeros estudos estão sendo realizados para detectar a importância da prática desportiva nessa fase da vida, principalmente porque nessa fase ocorrem grandes modificações e adaptações que poderão ser decisivas na vida adulta.
A Revolução Industrial fez com que a atividade laboral fosse reduzida em termos de quantidade e intensidade. Em 1981, Mellerowicz & Franz afirmaram que 100 anos atrás a energia necessária pelo homem para o trabalho era de 90% de sua força muscular, hoje em dia é de apenas 1%.
Face a estes fatos, entre inúmeros pesquisadores há um consenso de que a hipocinesia (pouco movimento) está relacionada com várias doenças crônico degenerativas, como acidente vascular encefálico, câncer, obesidade, osteoporose, diabetes, hipertensão arterial e as doenças cardiovasculares (Glaner, 2003).
Conforme Hollmann & Hettinger (1983) a prevenção das doenças relacionadas à hipocinesia deveria ser iniciada desde a idade infantil e juvenil. Ross & Plate (1987) também destacam que doenças crônico degenerativas tem seu período de incubação na infância e adolescência (Glaner, 2003).
A inatividade física na infância e adolescência vem provocando um aumento significativo e por sua vez perigoso da obesidade. A obesidade infantil vem crescendo tanto nas últimas décadas que já se transformou em um problema de saúde pública no Brasil (Giuliano & Carneiro, 2004 apud Alli et al., 2007), situação esta que vem gerando preocupações das autoridades, pois a associação da obesidade com as alterações metabólicas, como dislipidemia, hipertensão arterial e intolerância à glicose são considerados fatores de risco para o diabetes melitus tipo II e as doenças cardiovasculares, como mencionado acima.
Além dos distúrbios metabólicos e cardiovasculares a obesidade pode trazer complicações articulares, cirúrgicas, respiratórias e psicossociais (depressão, humilhação) (Alli et al., 2007).
Dados epidemiológicos da obesidade relatam que pelo menos 27% das crianças e 21% dos adolescentes, no Brasil, são obesos. Isso representa um aumento de 54% na prevalência de obesidade entre as crianças e de 39%, entre os adolescentes, nos últimos 20 anos (Moraes et al., 2007).
Percebe-se, através da análise de estudos e pesquisas realizadas nesse âmbito que um dos agentes promotores desses efeitos deletérios é a inatividade física, principalmente pelas crianças e adolescentes.
Estudo realizado em 2005 na cidade de Maceió, sobre a prevalência de fatores de risco cardiovascular em crianças e adolescentes da rede de ensino da cidade, o qual analisou crianças e adolescentes de 7 a 17 anos de idade, aponta que do total estudado, 93,5% são sedentários (Silva, Rivera, Ferraz, Pinheiro, Alves, Moura e Carvalho, 2005).
Segundo Malina (1998) apud Glaner (2003), hábitos de atividade física, desenvolvidos durante a infância são assumidos e continuados durante a adolescência e a vida adulta.
A atividade física habitual durante a adolescência é positivamente relacionada com a densidade mineral óssea, em mulheres e homens, neste mesmo estudo foi reforçado a importância de uma quantia suficiente de atividade física durante o crescimento e desenvolvimento para possibilitar um maior pico de massa óssea na idade adulta, para prevenir a osteoporose e fraturas na idade mais avançada (Glaner, 2003). Nieman (1999) comenta que inúmeras pesquisas evidenciam que a predisposição a osteoporose começa na infância e adolescência, e que 90% do conteúdo mineral do osso do adulto é depositado no final da adolescência.
Bouchard et al., (1994) apud Glaner (2003), salientam que a força mecânica produzida pelas contrações musculares é um fator determinante na manutenção da massa óssea e do aumento da força dos ossos.
Inúmeros são os estudos que evidenciam a importância da prática desportiva na infância e adolescência, dentre eles o ACSM (1996), que preconiza a importância da resistência aeróbica, pois a mesma está associada à saúde, sendo que baixos níveis dela apresentam correlação com um risco crescente de morte prematura devido a qualquer causa, especialmente por doenças do coração. O mesmo estudo comenta que indivíduos treinados aerobicamente apresentam menor risco de doença coronariana, acidente vascular encefálico, vários tipos de câncer, diabetes, hipertensão, obesidade, osteoporose, depressão e ansiedade.
Portanto, evidencia-se a importância da prática desportiva não somente pelas crianças e adolescentes, mas que essa prática seja contínua, para vida toda, contudo, deve ter seu início o mais breve possível, pois quanto maior for nossa herança desportiva maior serão os benefícios colhidos no futuro.
E no Twitter: https://twitter.com/JefersonCPorto
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