Diabetes Mellitus e Musculação
O Diabetes Mellitus (DM) é uma síndrome que apresenta o metabolismo da glicose alterado devido à falta de insulina e/ou incapacidade do hormônio exercer adequadamente suas funções. A doença é caracterizada por hiperglicemia crônica e frequentemente é acompanhada de dislipidemia, hipertensão arterial e disfunção endotelial (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2004).
O indivíduo com DM geralmente apresenta as seguintes condições: nefropatia, com possível evolução para insuficiência renal; retinopatia que pode evoluir para cegueira; neuropatia com risco de úlceras nos pés; amputações; artropatia de Charcot e disfunção sexual. Além disso, há um aumento no risco de desenvolver doenças vasculares ateroscleróticas, como doença coronariana, arterial periférica e vascular cerebral e em longo prazo podem aparecer alterações vasculares que levam a disfunção, dano ou falência de vários órgãos (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2004).
Riscos à saúde consideráveis estão associados ao diabetes, onde as pessoas que tem essa patologia apresentam uma taxa de mortalidade relativamente alta. De acordo com CAMPOS (2000) e WILMORE & COSTILL (2001) apud PORTO (2008) o indivíduo com diabetes apresenta um maior risco de desenvolver as seguintes patologias:
- Doença coronariana;
- Doença cerebrovascular;
- Hipertensão;
- Doença vascular periférica;
- Infarto agudo do miocárdio;
- Amputações de pés e pernas;
- Abortos e as mortes perinatais;
- Toxemia durante a gravidez (convulsões ou acessos e elevação aguda da pressão arterial, proteinúria, edema, retenção de sódio);
- Hiperinsulinemia no recém-nascido (presença de alto nível de insulina endógena no sangue circulante);
- Retinopatia diabética: doença progressiva que danifica a retina;
- Nefropatia diabética: danificação dos pequenos vasos sangüíneos dos rins;
- Neuropatia periférica: doença dos nervos responsáveis pela sensibilidade e que controlam o funcionamento muscular;
- Distúrbios oftálmicos, incluindo a cegueira.
- Neuropatia autonômica: doença que afeta os nervos autônomos que agem sobre órgãos internos importantes como o coração.
A Relação entre a Atividade Física e o Diabetes
De acordo com o Posicionamento Oficial do ACSM (1997) para o Diabetes Mellitus e Exercício, o mesmo preconiza que antes de iniciar um programa de exercícios, o indivíduo com diabetes mellitus deve ser submetido a uma avaliação médica detalhada com estudos diagnósticos apropriados. Estes exames devem, cuidadosamente, investigar a presença de complicações macro e microvasculares que possam ser agravadas pelo programa de exercício. Essa avaliação inicial permitirá a prescrição individualizada de exercício que pode minimizar o risco para o paciente (PORTO, 2008).
Até pouco tempo atrás, considerava-se importante para a manutenção da glicemia plasmática a prática dos exercícios aeróbios, como: caminhar, correr, nadar, pedalar, dentre outros, porém, a musculação (treinamento de força) tem sido recomendada pelas principais organizações desportivas e de saúde do Mundo como uma forma de tratamento da DM, inclusive o número de pesquisas envolvendo esse tema vem aumentando consideravelmente (CAUZA, 2005; CASTANEDA, 2002; DUNSTAN, 2002). KOOPMAN (2005) apud NASSAU et al., (2008) demonstrou que uma sessão de musculação com intensidades adequadas pode melhorar a captação de glicose pelo músculo. O estudo explica que isso pode estar associado à translocação do GLUT-4 para a superfície da membrana celular e/ou aumento da expressão do mesmo, aumento de massa muscular e perda de gordura.
Dentro das células existe o que chamamos de transportadores de glicose ou GLUT. As fibras musculares contêm GLUT 1 e GLUT 4, onde grande parte da glicose durante o repouso penetra na célula via GLUT 1. Com altas concentrações sanguíneas de glicose ou de insulina, como ocorre após comer ou durante o exercício, as células musculares recebem glicose pelo transportador GLUT 4. A ação de GLUT 4 é mediada por um segundo mensageiro, estimulado talvez pela contração muscular que permite a migração da proteína GLUT 4 intracelular para a superfície afim de promover a captação de glicose. O fato de que GLUT 4 se movimenta até a superfície da célula através de um mecanismo em separado que depende da insulina é consistente com as observações de que os músculos ativos podem captar glicose sem insulina (McARDLE, et al, 2003 apud PEREZ, 2008 & Porto, 2008).
Sabendo que a contração muscular estimula a translocação do transportador de glicose para a membrana celular e por sua vez facilita a entrada de glicose para dentro da célula independente da concentração de insulina plasmática, isso significa que os exercícios com pesos ajudam no processo da tentativa de manter a glicemia constante tornando os diabéticos com a glicemia normalizada. O que explica esse estímulo da translocação do GLUT 4 para a superfície da membrana via contração muscular, seria sinalizado pelo aumento da quantidade de cálcio livre para o processo de contração muscular e esse mesmo cálcio que participa do processo de contração muscular estimula esses transportadores de glicose facilitando a entrada da mesma independente da quantidade de insulina circulante (PEREZ, 2008 & PORTO, 2008).
Outro mecanismo potencial pelo qual o treinamento de força (musculação) poderia ajudar na administração do diabetes mellitus (DM) é pelo aumento da massa da musculatura esquelética, já que o músculo é a principal fonte de disposição de glicose. A musculação produz significativa hipertrofia da musculatura esquelética (PORTO, 2008)
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