Adaptações Fisiológicas Induzidas Pela Prática Desportiva
Inicialmente, vale esclarecer a diferença entre bradicardia e hipotensão: Bradicardia é a frequência cardíaca de repouso inferior a 60 batimentos por minuto (Wilmore & Costill, 2001), alteração que pode ser induzida pelo exercício físico; Hipotensão é a redução da Pressão Arterial após a prática do exercício físico (Porto, 2008). São, portanto, variáveis diferentes com relação á prática desportiva.
A prática desportiva induz certas adaptações ao nosso organismo, dependendo do tipo de exercício realizado, tempo de duração, intensidade, frequência, dentre outros. Tais adaptações e/ou alterações justificam a prática propriamente dita dos mesmos, mas é necessário analisarmos cada caso isoladamente.
No caso dos hipertensos, que receberam liberação médica para se exercitar, os mesmos devem ter cuidado nessa prática, pois se observa que a grande maioria opta por começar essa prática pelas atividades aeróbicas, fato nem sempre coerente, dependendo do nível de condicionamento do praticante, ou seja, quanto mais sedentário, maior deverão ser os cuidados com a inserção da prática desportiva no cotidiano.
Isso posto, as atividades aeróbicas tendem a ser executadas num ritmo que varie de leve a moderado por um longo período de tempo (3’ em diante), ou seja, tanto a frequência cardíaca quanto a pressão arterial ficarão mais elevadas ao serem comparadas com a situação de repouso. Isso poderá induzir uma sobrecarga demasiada no músculo cardíaco, por causa dessa exposição prolongada e ininterrupta ao exercício físico.
No caso dos exercícios anaeróbicos, como o treinamento de força por exemplo, essa exposição do miocárdio (músculo cardíaco) é mínima, ou seja, nesse caso executa-se cerca de 10 repetições de um determinado exercício, que tem uma duração de no máximo 30” (trinta segundos), dando um intervalo entre a próxima série de 10 repetições. Tal intervalo poderá variar de acordo com o nível de condicionamento do praticante, da resposta da frequência cardíaca e da pressão arterial. Ao compararmos o tempo de exposição do músculo cardíaco nessas duas formas de exercício, percebe-se inegavelmente que nos exercícios aeróbicos esse tempo é significativamente maior comparando-se com os 30” (trinta segundos) de execução de um exercício de musculação.
Vale ressaltar que a grande maioria das pessoas não executa ou pratica os exercícios aeróbicos por apenas 3 minutos, como referido acima, tendem em realizá-los por um tempo bem maior, 20’, 30’, e até mais, exigindo ainda mais do coração.
Não estou condenando as atividades aeróbicas, muito pelo contrário, estou querendo demonstrar que é necessário saber quem poderá realizá-las, quanto tempo de duração, em que velocidade, para que a mesma seja segura e eficiente, porém não expondo o órgão responsável por bombear o sangue para todo organismo e suprir a demanda de oxigênio nas células dos músculos esqueléticos em atividade (coração).
Nesse caso, o treinamento de força é um excelente coadjuvante no tratamento da hipertensão arterial sistêmica, pois não expõem o coração ao mesmo estresse que as atividades aeróbicas.
Com o desenvolvimento do condicionamento físico, essas atividades tanto aeróbicas como anaeróbicas poderão e deverão sofrer ajustes, para que possam ser desenvolvidos e/ou adquiridos os efeitos benéficos dessa prática.
Para exemplificar o exposto acima, um hipertenso poderá começar essa prática fazendo um treinamento que chamamos de “treinamento intervalado”, que tem por objetivo a execução tanto dos exercícios aeróbicos como anaeróbicos, mas de forma intervalada, por exemplo: 5’de caminhada, 2 exercícios de musculação (1 ou 2 séries de 8 a 10 repetições); mais 5’de caminhada, outros 2 exercícios de musculação (mesma metodologia) e por fim mais 5’ de caminhada e alongamentos. Total de execução dos exercícios aeróbicos = 15 minutos, mas realizados de forma intervalada com os outros exercícios. Diferentemente se fossem realizados os mesmos 15’de forma ininterrupta.
Essa é a diferença, que aliás, faz toda a diferença, num programa de treinamento bem organizado e planejado.
Referências Bibliográficas:
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