Comemorando 10 Anos do CONFEF
Realmente temos muito o que comemorar, conseguimos nesse período uma valorização muito significativa, principalmente em se comparando com épocas anteriores. Hoje o profissional de Educação Física tem sua atuação valorizada em ambientes onde jamais se imaginaria ter, como, por exemplo, em hospitais, no setor de reabilitação, dentre tantos outros.
Mas ainda é muito pouco… Observo, através de análise empírica, que a grande maioria dos profissionais de Educação Física não tem condições básicas de trabalho digno, em condições de reciclagem constante, de investimentos sólidos na carreira profissional, carteira assinada, dentre outros.
Dessa forma, de acordo com reportagem da revista do próprio CONFEF, onde vemos a seguinte citação: “A regulamentação foi conquistada por ser uma necessidade social”, [...] “A principal razão de nossa existência é a proteção da sociedade”. Mas como vamos proteger a sociedade se ainda SEQUER conseguimos nos proteger? Como vamos disponibilizar serviços de qualidade se não conseguimos nos reciclar devidamente? Como vamos proteger tal sociedade se AINDA sequer temos uma política de estabelecimentos básicos de remuneração? Como vamos nos reciclar se os cursos de Mestrado e Doutorado estão restritos a poucos, e diga-se de passagem, poucos que conseguem pagar…
Estamos de mãos amarradas e entregues aos mandos e desmandos dos empresários, que pagam o que querem e bem entendem para esses profissionais, que teoricamente deveriam cuidar da saúde da população, tanto é verdade que a Educação Física faz parte da área da saúde, como a Medicina, por exemplo, mas quanta diferença!!!
Como é possível um profissional de Educação Física ganhar R$4,00 (quatro reais) ou R$5,00 (cinco reais) uma hora/aula??? Estudar durante anos a fio para chegar no final do mês e ganhar menos que um Garçom, um FLANELINHA (não pretendo de forma alguma denegrir outras profissões) é IMPOSSÍVEL continuar com essa prática…
O CONFEF através dos respectivos CREF`s precisa URGENTEMENTE estabelecer de forma digna bases salariais para nossa categoria e acima de tudo FISCALIZAR, mas não adianta fiscalizar no eixo Rio-São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, e outros poucos, é necessário uma fiscalização no país inteiro… Como vamos massificar a prática da Educação Física se não existe essa tal fiscalização, principalmente no âmbito escolar, onde tudo deveria começar.
A Educação Física necessita de atenção de forma igual e globalizada, em todas as suas áreas de atuação e em todos os recantos de país. Isso é primordial para a verdadeira consolidação dessa profissão tão bonita, importante e pra não dizer fundamental no cotidiano das pessoas.
Espero que 2009 não seja apenas o ano da Educação Física Escolar, mas sim de uma reviravolta nas políticas de valorização, principalmente SALARIAL, dessa categoria que hoje é imprescindível para a manutenção da saúde coletiva, contribuindo sobre maneira nos gastos públicos com internações, tratamentos de saúde por intermédio do SUS, prescrição e disponibilização de medicamentos, consultas médicas, dentre outros.
Mas outro ponto deve ser discutido, tão importante quanto os elencados acima, que é a responsabilidade com que os próprios Professores de Ed. Física estão tratando a profissão, ou seja, sem ética, sem responsabilidade com a saúde das pessoas, levando em consideração apenas seus objetivos, dentre outros. Não vamos conseguir formar uma classe profissional sem união, porque para sermos éticos, precisamos observar além dos objetivos pessoais, mas também respeitar os outros membros de uma mesma categoria profissional e, acima de tudo, zelando pela mesma.
Vou citar um exemplo verídico. Um senhor, aluno iniciante, 50 anos de idade, com hérnia discal na região lombar, iniciou suas atividades físicas em uma determinada academia. De início foi elaborado um programa de treinamento, cujo mesmo continha além de outros exercícios o chamado “STIFF” ou “LEVANTAMENTO TERRA”. Ao executar tal exercício o aluno sentiu dores nas costas, queixando-se e salientando seu problema. Nunca mais apareceu na academia. Dias após encontrei com uma pessoa amiga que também conhecia esse Sr. e relatou que o mesmo jamais poderia ter feito musculação por causa do seu problema de hérnica discal.
Moral da história, por causa de uma péssima orientação, a “MUSCULAÇÃO” que não tem nada haver com isso, ficou taxada como a culpada dessa situação, comprometendo TODOS aqueles que trabalham nessa área, por causa de um profissional que não tem capacidade para trabalhar com situações específicas, como foi esse caso. Também porque as pessoas, talvez com medo de exposição, não dizem o nome do seu orientador, ou seja, dar nome aos bois, para separar o joio do trigo de uma vez por todas.
Prejuízo para todo mundo, porque a sociedade continua com serviços ruins, impedindo que os bons profissionais tenham maior espaço, contribuindo assim a disseminação de técnicas arcáicas na prescrição e orientação da prática desportiva.
Prof. Jeferson Porto
1 Comentário
Deixe um comentário
Buscar
Categorias
Artigo recentes
Comentários
- Profº Jeferson Corrêa Porto em Cinesiologia e Biomecânica Aplicada aos Exercícios de Gastrocnêmio – Parte III
- weliton em Cinesiologia e Biomecânica Aplicada aos Exercícios de Gastrocnêmio – Parte III
- Thúlio Wanderlei em ‘Novo IMC’ compara cintura com altura
- Profº Jeferson Corrêa Porto em L-CARNITINA
- Jezebel em L-CARNITINA












Concordo plenamente com o Jeferson. Os salários para profissionais de Educação Física são uma piada. Meu marido é formado na área e pós graduado em Fisiologia do Exercício e não consegue emprego. Ele vai as entrevistas e oferem salários de 400,00 ou 500,00 reais por mês, como se ele fosse estagiário ainda. É um absurdo. Estes profissionais estudam se qualificam e merecem salários mais justos.