Estresse aumenta risco de doenças nos olhos
No Brasil o estresse atinge 70% da população segundo levantamento da ISMA (International Management Stress Association). Para piorar, a alimentação do brasileiro não vai bem. O IBEG (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que 40% da população adulta está acima do peso, mas o consumo de frutas, legumes e verduras no País é baixo, um claro sinal de deficiência alimentar.
De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, além dos maus hábitos alimentares, o déficit nutricional pode ser causado por transformações decorrentes do processo de envelhecimento, estresse e má absorção dos alimentos provocada por tabagismo, doenças ou medicamentos. Quando o assunto é visão, ele diz que além do excesso de atividade física ou intelectual, os principais fatores estressantes são: esforço visual provocado pelo uso de óculos de grau desatualizados e uso intensivo do computador.
Esgotamento de nutrientes é maior entre mulheres
O especialista afirma que o estresse esgota alguns nutrientes. Destaca o magnésio, potássio e cálcio que mantêm o bom funcionamento de todos os músculos, inclusive dos orbiculares que respondem pelo movimento das pálpebras. Por conta desse esgotamento, comenta, é cada vez mais freqüente o número de pacientes que chega ao consultório com espasmo palpebral, na proporção de duas mulheres para cada homem. Ele afirma que a incidência é maior entre mulheres porque muitas tomam diurético para emagrecer e acabam eliminando potássio na urina. É um perigo, adverte, porque a deficiência de potássio pode levar à arritmia cardíaca. Outro fator, observa, é a menor absorção do cálcio na pós-menopausa causada pela queda da produção de estrogênios.
Além do estresse, o consumo excessivo de cafeína, álcool e açúcar podem levar à deficiência desses nutrientes e causar o movimento involuntário das pálpebras. Por isso, para muitas pessoas basta diminuir este consumo para eliminar o problema. Nos casos persistentes, ele diz que o tratamento requer suplementação nutricional que é estabelecida após exame de sangue, para evitar problemas mais graves como hipertensão arterial, osteoporose, arritmia cardíaca e até alguns tipos de anemia.
Antioxidantes beneficiam saúde ocular
Outro efeito do estresse sobre os olhos é o acúmulo de radicais livres que acelera a oxidação das células e pode levar à perda da visão. Queiroz Neto afirma que em diversos estudos internacionais há evidências de que incluir na dieta antioxidantes – betacaroteno, luteína, zeaxantina, vitamina E, vitamina C – associado a zinco protege os olhos dos danos causados pelos radicais livres. Isso não quer dizer que a suplementação recupere a visão ou impeça o desenvolvimento da degeneração macular, maior causa de cegueira irreversível no mundo.
Entretanto, um estudo do National Eye Intitute, órgão do governo americano, aponta que a suplementação com antioxidantes reduz em 25% a progressão da doença. Já contra a catarata ele diz que o melhor protetor é a luteína que filtra a luz azul, responsável pela oxidação do cristalino. Outros nutrientes como óleo de linhaça e ômega-3 são benéficos para o olho seco que se agrava no inverno com o aumento da estiagem. Queiroz Neto diz que o ressecamento da lágrima associado ao acúmulo de poluentes no ar torna os olhos mais vulneráveis a alergias e contaminações por vírus ou bactérias. Todos estes nutrientes são encontrados nos alimentos.
As fontes de nutrientes que preservam a saúde ocular são:
* Vitamina A/ Betacaroteno – Ovos, laticínios, cenoura, pimentão vermelho, manga e folhas de verde intenso
* Vitamina E – Amêndoas, semente de girassol
* Vitamina C – Frutas cítricas, mamão, tomate, brócolis
* Zinco – Mariscos, ostras, feijão, lentilha, nozes
* Luteína – Gema de ovo, folhas verdes, ervilha
* Zeaxantina – Milho, pimentão amarelo, laranja, abóbora.
* Ômega 3 – Bacalhau, salmão, atum, arenque, semente de linhaça
Os suplementos só devem ser usados sob prescrição médica. Isso porque altas doses de zinco podem causar câncer de próstata e entre fumantes o betacaroteno em grande quantidade aumenta o risco de câncer no pulmão.
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Jornal Cruzeiro do Sul (www.cruzeirodosul.inf.br) – Saúde – 24/07/2008
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