A obesidade escolar e a prática da educação física
Por Alberlan Almeida
Infelizmente, é muito comum na escola encontrar crianças obesas ou/e com sobrepeso, devido principalmente à falta de atividade física estruturada e também a outras causas como, por exemplo: fatores genéticos, ambientais, psicológicos, endócrinos e outros.
Em vários momentos da história humana, pensou-se que a obesidade era originada por desequilíbrios hormonais resultantes da falha de uma ou mais glândulas endócrinas em regular adequadamente o peso corporal. Em outros momentos, considerou-se que o consumo exagerado de alimentos, em vez da disfunção glandular, era a principal causa da obesidade. É importante salientar que no primeiro caso, considera-se que o indivíduo não tem controle da situação; já no segundo, o mesmo é diretamente responsabilizado (WILMORE & COSTILL, 2001).
A obesidade é definida como excesso de tecido adiposo no organismo,considerada pela Organização Mundial de Saúde como uma doença crônica degenerativa desencadeadora de problemas cardiovasculares.
A localização da gordura merece uma atenção especial pois foram propostas classificações de diferentes tipos de obesidade com base na distribuição da gordura localizada, sendo a forma mais popular os tipos andróide e ginóide. A obesidade tipo andróide (masculina) é caracterizada pelo acúmulo de tecido adiposo na região abdominal,sobretudo na região intra-abdominal – não só de gordura visceral profunda,mas também de subcutânea. Essa obesidade também é conhecida como central,da parte superior do corpo .
Às vezes,também é chamada de obesidade “em forma de maçã”. A obesidade do tipo ginóide (feminina) é caracterizada pelo acúmulo de gordura na região glúteo-femoral – quadril, nádegas e coxas. É conhecida como “do tipo pêra”. Lembrando que há uma correlação direta com problemas cardiovasculares a obesidade do tipo maçã, ou seja, o maior risco pode ser resultante de depósitos de gordura visceral próximos ao sistema circulatório portal (circulação hepática).
A educação física exerce um papel muito importante no âmbito escolar no que se refere à prevenção da obesidade e na melhoria da qualidade de vida dos alunos. Além disso, melhora o desenvolvimento motor da criança, ajuda no seu crescimento e estimula a participação futura em programas de atividade física. Não esquecendo que o meio familiar também contribui nos hábitos alimentares, um dos grandes problemas do mundo contemporâneo.
É inquestionável a grande importância de uma vida ativa, pois além do ganho físico, há um aumento da auto-estima. Portanto, para ALVES (2003), existem três grandes vantagens da atividade física estruturada:
1) as crianças são mais saudáveis: têm menos excesso de peso, apresentam uma melhor performance cardiovascular, um número menor de crises de asma, além de apresentarem uma maior densidade óssea;
2) esses efeitos são transferidos para idade adulta;
3) manutenção do hábito na vida adulta: crianças e adolescentes que se mantêm fisicamente ativos apresentam uma probabilidade menor de se tornarem sedentários.
Cabe ao profissional de educação física a responsabilidade de oferecer, além das atividades esportivas, práticas recreativas de caráter lúdico,onde a criança se sinta bem à vontade.
Dessa forma, o exercício deixa de ter uma conotação martirizante, respeitando o processo de desenvolvimento biopsicosocial.
Bibliografias consultadas
ALVES, J. G. B. Atividade física em crianças: promovendo a saúde do adulto.Revista brasileira Saúde Materno-infantil, Recife,v.3 nº 1; p.5-6. 2003.
DOMINGUES FILHO, L. A. Obesidade e atividade física. Jundiaí, São Paulo: Fontoura, 2000.
WILMORE, J. H.; COSTILL, D. L. Fisiologia do esporte e do exercício. 2 ed. São Paulo: Manole, 2001.
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