Abaixo o sedentarismo!
Sem dúvida alguma, um dos maiores males da sociedade moderna é o sedentarismo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), “o sedentarismo vem crescendo de forma alarmante no mundo inteiro, deixando de ser uma preocupação meramente estética para se transformar num problema grave de saúde pública, numa epidemia global”. Segundo dados da OMS, 70% das pessoas, em todo o mundo, são sedentárias e estão sujeitas a desenvolver doenças cardíacas, diabetes e obesidade. A falta de atividade física é responsável por 54% do risco de morte por enfarte, 50% por derrame cerebral e 37% por câncer.
As inovações tecnológicas do século 20 alteraram o ritmo de vida das pessoas, tornando-as mais sedentárias, praticamente eliminando do cotidiano o exercício físico realizado de forma natural. “O resultado disso é o aumento de doenças crônicas como a hipertensão arterial, a obesidade, a elevação do colesterol, o diabetes, a ansiedade, o infarto do miocárdio”, afirma a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.
É claro que o aumento dessas doenças não está relacionado apenas à ausência de exercícios físicos, e, sim, a todo o estilo de vida do homem moderno. Entretanto, a prática de atividades físicas age de maneira preventiva. E é a própria OMS que recomenda que para fugir das estatísticas do sedentarismo, o ideal é inserir a atividade física em quatro campos das atividades diárias: no trabalho, no lazer, nos trabalhos domésticos e no transporte.
Exercícios como subir escadas ao invés de utilizar elevadores, ou ir caminhando para o trabalho e pedalar no final do dia estimulam o bem estar físico e mental, diminuindo em 50% o risco dos males ligados ao sedentarismo. “Além de colaborarem também com a redução da incidência da hipertensão, do estresse e da depressão”, diz Ellen Paiva.
Equívocos
A idéia de que sedentário é quem não está treinando, todos os dias, numa academia é equivocada. Basta um pouco de motivação e determinação para cuidar melhor da própria saúde, prevenindo o aparecimento de doenças. Como promessa para 2007, retomamos a dieta, a ginástica, as caminhadas. Devemos, agora, saber o que comer antes e depois de terminar os exercícios. “A maior fonte de energia para o trabalho muscular, durante o exercício físico, é proveniente do carboidrato”, afirma a endocrinologista Ellen Simone Paiva.
Durante a prática de exercícios, a utilização dos nossos estoques hepáticos de glicose determina perda de até 50% da reserva de glicose na primeira hora. “A utilização dessa fonte de energia também ocorre durante as nossas atividades da vida diária, inclusive no repouso noturno, o que determina grande perda noturna da glicose do fígado e a necessidade de nos alimentarmos pela manhã, antes da ginástica”, diz a médica.
Se o maior substrato para o exercício e para a manutenção da atividade cerebral é a glicose, nada mais óbvio do que utilizá-la antes da malhação. “Isso poderá evitar os sintomas nada agradáveis da hipoglicemia – baixa de glicose no sangue – caracterizados por mal estar, sudorese fria, palidez cutânea, tremores, palpitações e o vexame de um desmaio durante os treinos”, explica Ellen Paiva. Muitas vezes, os sintomas são mais sutis, como cansaço físico, baixo rendimento na ginástica e dores de cabeça.
O pão é um aliado
A melhor forma de ingerir carboidrato é aquela em que as inúmeras moléculas de glicose são ligadas entre si em uma longa cadeia, produzindo um carboidrato complexo ou amido na forma de pão. “Isso mesmo! O pão é o melhor alimento para garantir nosso substrato de glicose quando vamos nos exercitar”, afirma a nutricionista do Centro Integrado de Terapia Nutricional (Citen), Amanda Epifanio. Não adianta comer uma banana e ir para a academia.
A diferença básica é de que no amido, as moléculas de glicose são liberadas para o sangue de maneira lenta e gradual, garantindo um suporte energético estável e contínuo, ao passo que os carboidratos das frutas são basicamente frutose e sacarose, de liberação rápida.
A ingestão de carboidratos não atrapalha os planos de quem deseja perder peso. Essa crença é incentivada pelo fato de pensarmos que perdemos peso, enquanto nos exercitamos, o que é um equívoco.
“O que ocorre é que a prática regular de atividade física aumenta o nosso gasto calórico diário e isso, associado à uma dieta balanceada e hipocalórica, garante a perda de peso”, informa a nutricionista.
Logo, quando praticamos uma atividade física simples, devemos fazer um lanche com duas ou três fatias de pão integral e laticínios magros como queijo branco light ou embutidos magros, como o presunto de peru ou a blanquette de peru, pois a adição desse componente protéico permite que a absorção do carboidrato seja mais lenta para adequar a oferta de energia.
Dieta
“À medida em que nossa atividade física vai se tornando mais intensa, precisamos também de uma dieta mais elaborada e de uma suplementação de carboidratos, caso dos atletas que participam de corridas de longa distância e de maratonas, mas nunca de suplementos protéicos “, ressalta Amanda Epifanio.
Além das medidas dietéticas, a hidratação antes e durante os exercícios físicos, proporciona a reposição da água perdida durante os mesmos, impedindo a desidratação e a perda eletrolítica. “Quando a pessoa consegue se alimentar corretamente antes da ginástica e consegue ainda boa hidratação durante a realização dos exercícios, sua próxima refeição pode ser no horário habitual da dieta”, afirma a nutricionista do Citen.
Melhor ainda seria deixar uma ou duas porções de frutas para o final da ginástica. Além de hidratar, elas garantem suprimento de frutose e sacarose, que recompõem as forças do atleta.
Dieta vai ajudar
Em geral, nenhuma suplementação vitamínica é necessária para quem deseja começar a se exercitar, nem mesmo para atletas profissionais, desde que eles sigam dietas adequadas às suas necessidades calóricas e nutricionais. Mesmo para as pessoas que pretendem ganhar massa muscular não há indicação de suplementos protéicos, uma vez que eles não interferem nesse mecanismo, nem melhoram a performance do atleta.
Além disso, há o efeito deletério em nível renal, englobando desde a indução na formação de cálculos até relatos de falência renal aguda. “Os suplementos protéicos não têm nenhuma indicação no aumento da massa muscular, sendo essa, única e exclusivamente uma conseqüência do treino”, diz Ellen Paiva.
Os esteróides são outro capítulo negro em um universo que deve estar relacionado à saúde e ao equilíbrio. Facilmente aumentam a massa magra, reduzem a gordura corporal, aumentam a capacidade aeróbica e a força muscular e causam um grande bem estar. “Tudo muito ilusório e muito arriscado”, alerta a médica, pois, concomitantemente, causam no homem um bloqueio nos hormônios centrais que controlam o hormônio masculino e provocam desde a impotência até alterações no fígado e testículos, além de sinais de feminização, como o aumento das mamas.
Atrofia
Na mulher, há a virilização, com atrofia mamária, interrupção das menstruações, aumento dos pelos e acne. “São comuns também as alterações psiquiátricas como comportamentos agressivos. Apesar de tudo isso, muitas pessoas, ainda, se recusam a abandonar o uso de tais medicamentos”, alerta a edocrinologista Ellen Paiva.
Uma alimentação balanceada ainda é a mais segura e eficiente forma de atender à demanda das pessoas dispostas a praticar atividades físicas, “pois possibilita ao atleta a oportunidade de alcançar condicionamento físico, melhorar seu desempenho, aumentar sua massa muscular e, ainda, o auxilia a atingir e manter o peso ideal”, reforça Ellen Paiva.
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