Afogamentos – Uma Tragédia Mundial

Publicado em 15/08/2006, Esportes Aquáticos, Não há comentários

Djan Madruga Medallhista Olímpico de Natação (1980) Mestre em Educação Física E.U.A. (1984)

Resolvi escrever sobre este tema após ler no jornal sobre mais um naufrágio, desta vez na costa da Bretanha no oeste da França onde morreu Edouard Michelin, co- presidente da empresa líder mundial na fabricação de pneus que leva o seu nome, é triste que esse empresário brilhante tenha morrido afogado aos 42 anos, embora o fato tenha ocorrido longe do Brasil naufrágios também acontecem aqui com uma freqüência muito maior do que imaginamos. Recebi dados estatísticos alarmantes do Major Marcelo Pinheiro do GMAR-RJ, sobre afogamentos, veja só o que acontece no mundo: 500.000 pessoas são vítimas fatais de afogamentos anualmente.

No Brasil, pelo menos 7.000 morrem por ano desta causa, dá 1 pessoa a cada 1h20min. A faixa etária mais atingida está entre 20 e 29 anos, ou seja, nossos jovens são as maiores vítimas.

Por ano 260.000 pessoas são hospitalizadas e há 1,3 milhões de resgates no país. Isto equivale a 3.562 por dia e 148 por hora, 2,5 por minuto!

Segundo o Major Pinheiro, ao contrário do que se imagina, acontecem mais afogamentos nos estados não banhados pelo mar. Eu acredito que isto se dá nas populações ribeirinhas que vivem e tiram seu sustento dos rios e lagoas e tendem a se afogar com maior freqüência, principalmente os mais jovens e afoitos. No Rio de Janeiro, também acontecem mais óbitos longe das praias, mas deve-se elogiar a atuação do nosso GMar que consegue salvar 290 vidas para cada óbito.

Um dado crítico é que 46% dos afogados acham que sabem nadar, por isso reforço sempre a importância de saber nadar para não se afogar como questão de segurança para as nossas famílias.

A mesma preocupação que os pais têm em ensinar suas crianças a atravessar a rua nos sinais, deveriam ter também em ensiná-las a nadar.

Eu posso dizer isso com conhecimento, pois comecei minha carreira de nadador me afogando na praia de Copacabana aos 7 anos, é uma experiência que eu não desejo a ninguém embora tenha tirado um lado positivo dela ao me dedicar a natação competitiva chegando a nadar em 3 olimpíadas e tendo conquistado medalha em 1980. Mas até hoje mantenho o trauma e o respeito pelo mar.

Vamos ensinar nossos filhos a nadar e os pais que não sabem, devem procurar aprender para não fazer parte desta trágica estatística.

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