O Joelho
Dentre todas as articulações do esqueleto humano, nenhuma é mais exigida no esporte do que o joelho. Pode ser futebol, vôlei, tênis ou até mesmo um inofensivo jogo de peteca no parque – se é preciso correr sobre duas pernas, é o joelho que carrega o corpo. Conseqüentemente, é ele também quem acaba sofrendo a maior parte das lesões. Afinal, qual é o atleta ou esportista de fim de semana que nunca sentiu dores no joelho?
Exemplos não faltam. Talvez o mais drástico seja o do atacante brasileiro Ronaldo, que rompeu completamente o tendão patelar durante uma arrancada em um jogo no início de 2000. E, assim como o Fenômeno, que quase viu sua carreira acabar naquele momento, milhares de esportistas sem treinamento especializado e sem salários milionários colocam seus joelhos em risco nos campos, quadras e tatames do País todos os dias.
“Mesmo fora do ambiente profissional, o esporte em geral hoje é muito competitivo. Já vi lesões de menisco em garotos de 13 e 14 anos”, diz o médico Moisés Cohen, chefe do Centro de Traumatologia do Esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “As pessoas estão sempre querendo superar seus limites.”
Sem alguns cuidados básicos, porém, o primeiro limite que acaba sendo rompido é o do joelho.
A receita principal é simples, começando por aquecimento, alongamento e preparo físico adequados para cada atividade física. Uma rotina que praticamente todos conhecem, mas que raramente é levada a sério. “Todo mundo sabe que tem que fazer, mas ninguém acha que é importante”, diz o ortopedista Dan Oizerovici, especialista em traumatologia esportiva do Hospital Albert Einstein.
“O importante é jogar bola e tomar cerveja.”
O estudante Rodrigo Zanotti, de 21 anos, sentiu os efeitos disso durante uma pelada com os amigos no ano passado. Em um lance isolado, pulou para dominar a bola com o pé direito e caiu com o peso do corpo sobre a perna esquerda. O joelho não agüentou, e o ligamento cruzado anterior (LCA) se partiu em dois. “Raramente fazia alongamento. Vou ser mais cuidadoso agora”, garante Zanotti, depois de passar por cirurgia.
O joelho é uma articulação complexa e pode ser lesionado de várias formas: nos tendões, ligamentos, meniscos, cartilagem e até no osso. Os traumas mais comuns são causados por excesso de carga – resultado do excesso de atividade ou da falta de preparo físico. “Nosso joelho foi feito para andar e para praticar esportes, sim. O grande problema está no excesso”, afirma Cohen.
Outras recomendações incluem o uso de equipamentos adequados para cada esporte e trabalhos de musculação.
O joelho, ao contrário do cotovelo, por exemplo, não tem nenhum mecanismo de “trava”. O fêmur e a tíbia estão “soltos” um sobre o outro, mantidos no lugar apenas pelos tendões e ligamentos. Por isso é importante ter uma musculatura forte para proteger a articulação de movimentos bruscos. “A musculatura tem a função de amortecer o impacto sobre o joelho”, explica o ortopedista Daniel Gomes, especialista em traumatologia do esporte. “Se os músculos não estão preparados, o joelho vai sofrer.”
O limite varia de acordo com a idade e as condições físicas de cada um. Na dúvida, o melhor é usar o bom senso – e, sempre que possível, orientação profissional. “A linha entre o normal e o excesso é muito tênue”, avisa Cohen. “Cada um tem que conhecer o seu limite.”
Diretios Autorais:
Herton Escobar
www.educacaofisica.com.br
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