Pernas pra que te quero
*Graduado em Educação Física e Esportes, e Especializado em Natação Competitiva e Pós-Graduado em Fisiologia do Exercício. Artigo reproduzido do site www.aquaticapaulista.com.br.
Faltou perna no final”, “O quadril afundou em relação à superfície faltando poucos metros”, “Saiu da posição”.
Para aqueles que estão envolvidos com a natação competitiva, essa frases são comuns, concorda? A esses contextos citados acima, atribuo minha atenção à importância do treinamento eficaz das pernas (pernadas) na natação. É também, de suma importância relatar aqui que esse atributo obviamente não é única e exclusivamente o limitador da propulsão, e sim, um de seus. Com a avalanche de informações e a desfreada evolução das tecnologias que são levadas a nós principalmente pela internet, temos a chance de nos deparar e equiparar-se com varias formas de treinamento realizadas pelos melhores nadadores do mundo.
Em uma de minhas inúmeras navegações pelos mares do conhecimento virtual, deparei-me com uma informação acerca de tipos de nados que um atleta de renome mundial realizara em suas sessões de treinos diários. Esse atleta escreveu que para séries de média e longa duração, utilizava-se de um determinado estilo de nadar. Com duas pernadas para cada ciclo de braçadas (duas braçadas) ao invés da pernada sete tempos no nado livre.
Aliado ao aumento no número dos ciclos de braçadas.
É comum nos treinos vermos atletas desempenhando papéis desnivelados entre a relação pernas e braços, sendo a primeira mais abreviada, em menor número e menos densa (mais fraca) comparada com o tronco nos demais estilos.
Eu, particularmente, como nadador e treinador, não concordo e nem confio nessa filosofia e crença de treino.
Sabe-se que existem inúmeros treinadores e nadadores que desequilibram de maneira “consciente” a relação pernadas e braçadas durante treinos e competições.
Sendo assim, cito aqui somente três itens que considero valiosos para o emprego correto das pernas nos treinos:
- Por estabilizar o tronco em todos os nados;
- Por melhorar a hidrodinâmica ao alinhar as pernas com o corpo durante alguns momentos do ciclo de pernas e de braços;
- Sustentação, equilíbrio e propulsão.
Como conseqüência maior é o mantenimento da propulsão eficaz e reduzindo a imponente resistência d´água.
Muitos nadadores, grande parte deles velocistas, não se utilizam da perna de forma eficiente nos treinos. Quando às usam, batem muito fora dágua.
Isto é, não treinam suas pernas, pernadas e a requerem de forma extraordinária nas competições e séries de potência. Controvérsia não? Esquecem porém que os músculos que existem nas pernas são treináveis igualmente aos que existem no tronco, pois são os mesmos músculos esqueléticos. Fortalecem-se, aumentam as capacidades aeróbicas e anaeróbicas de igual forma.
Relembrando novamente que as provas de natação começam com a contração das pernas ao se mover do bloco de partida. Sob meu ponto de vista que me parece lógico, é preferível treinar as batidas de pernas mais densamente e como conseqüência, cansar mais, sentir mais desconforto e dores após os treinos e logo após colher um fruto bem maior nas competições alvo. Na maioria das vezes, treinar assim irá aumentar os tempos das séries nos treinos. O nadador (a) que possuir paciência (requisito básico na natação) poderá usufruir-se da sua potência de pernas após praticamente 15 dias.
Afirmo aqui também que aquele nadador que afirmou não bater muita perna, possui pernadas fracas, onde ele mesmo assumiu essa façanha. Intuitivamente, não concebo tudo que leio e vejo, e prefiro que ninguém acredite no que escrevo e sim no que realmente representa a verdade de cada um. Essas vendas não podem ser sempre compradas por todos nós.
Direitos Autorais:
www.educacaofisica.com.br
Fonte: Jornal A Cidade – Fitness/ Ribeirão Preto-SP
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