A importância de chegar com saúde aos 50 anos

Publicado em 7/03/2006, Saúde, Não há comentários

Conservar artérias e o coração sadios ajuda a evitar infarto ou derrame na velhice “EL PAÍS”

Pode ser tarde demais começar a se preocupar com a saúde do coração aos 50 anos. Estudo, que procurou avaliar o risco de um indivíduo vir a sofrer de um infarto, derrame ou qualquer outra enfermidade cardiovascular no decorrer da vida, aponta que a sorte já foi lançada – em boa medida – ao se chegar aos 50 e que, portanto, é importante fazer a prevenção muito antes.

O estudos feito nos EUA, publicado pela revista Circulation, aponta que mais da metade dos homens e quase 40% das mulheres terão uma enfermidade cardiovascular ao longo da vida. Aos 50 anos, o risco médio de desenvolvê-la antes dos 65 é de 51,7% nos homens e de 39,2% nas mulheres. No entanto, o achado mais surpreendente é que os homens, sem fatores de risco cardiovascular, após os 50 anos e pelo resto de suas vidas terão apenas 5,2% de chances de vir a sofrer uma dessas doenças.

“Numa situação ideal como esta, praticamente foi abolido o risco da doença cardiovascular”, explica o principal autor do estudo, Donald M. Lloyd-Jones. O perfil do paciente de baixo risco incluía um colesterol total baixo, pressão sanguínea normal e a ausência de diabetes e tabagismo. Por outro lado, os homens que apresentavam dois ou mais fatores tinham um risco de 68,9%.

As descobertas foram semelhantes entre as mulheres: as que apresentavam baixos níveis de risco aos 50 anos apresentariam 8,2% de chances de vir a contrair uma dessas doenças pelo resto de suas vidas, índice baixo se comparado aos 50,2% de mulheres que nessa idade apresentavam dois ou mais fatores de risco.

A vantagem de apresentar um perfil cardiovascular excepcional também se observou em termos de longevidade. Aos 50, os homens e as mulheres com um ótimo perfil apresentavam uma sobrevida média de 39 anos. As pessoas com dois fatores de risco, a longevidade média era de 28 anos, entre os homens, e de 31, no caso das mulheres.

LONGEVIDADE

“Sem dúvida, os esforços de prevenção devem começar décadas antes dos 50 anos, já que a inclusão de um só fator de risco aos 50 anos incrementa notavelmente o risco de se ter uma enfermidade cardiovascular nos anos posteriores, o que encurta a longevidade de forma notória”, assinala Lloyd-Jones, catedrático adjunto de medicina preventiva da Universidade de Northwestern, em Chicago (EUA).

Embora a pesquisa tenha levantado os cálculos do risco mediante o estudo de quase oito mil pessoas de 50 anos, os perfis de risco também são aplicáveis aos mais jovens. “Como ocorrem poucos casos de enfermidade cardiovascular em pessoas com idade inferior aos 50, o risco dessa faixa etária é, na realidade, uma aproximação razoável do que vai ocorrer durante o restante da vida”, diz Lloyd-Jones.

As descobertas têm conseguido repercussão nas políticas de prevenção cardiovascular. De uma forma geral, os médicos utilizam o cálculo de risco do paciente pelo período de dez anos de forma a decidir a intensidade do tratamento, explica. Um homem de 50 anos com colesterol alto e hipertenso apresentará um risco de infarto ou de morte provocada por doença coronária de 7% nos dez anos seguintes, exemplifica.

Para ter uma perspectiva completa do risco de um paciente é necessário utilizar os cálculos de riscos de forma unificada”, assinala Lloyd-Jones.

Embora os pesquisadores tenham apurado os riscos de enfermidades cardíaca coronária e insuficiência cardíaca congestiva para um período de vida, até o momento nada havia sido determinado sobre a ameaça de todo o espectro das enfermidades cardiovasculares, assinala a Associação Americana do Coração (American Heart Association), que edita a revista Circulation. “Apenas investigações, como o estudo de Framingham, que incluía um grupo de pacientes investigado por longo período, poderia nos oferecer as avaliações de qualidade de vida”, afirma. Os investigadores revisaram as histórias médicas de 3.564 homens e 4.362 mulheres que participaram do Estudo Cardíaco de Framingham”.

Nenhum deles padecia de enfermidade cardiovascular aos 50 anos. Posteriormente determinaram quais integrantes do grupo estudado haviam sofrido de enfermidade arteriosclerótica nos anos posteriores, inclusive infartos, insuficiência coronariana, angina de peito e derrames provocados por artérias obstruídas, além de morte resultante de enfermidade cardíaca coronariana e outras doenças. Também calcularam o efeito dos fatores de risco modificáveis, com o peso e o tabagismo.

Entre as descobertas está a de que aos 75 anos, 35% dos homens e 19,2% das mulheres haviam desenvolvido alguma enfermidade cardiovascular. O risco maior se observou em pessoas portadoras de diabetes aos 50 anos: 67,1% dos homens e 57,3% das mulheres diabéticas apresentavam enfermidade cardiovascular aos 75 anos. Da mesma forma, se descobriu que a obesidade incrementava o risco de vida em 58% e, no caso das mulheres, em 43%.

“Esses dados nos alertam para a necessidade de começarmos desde cedo a prevenir as enfermidades cardiovasculares e evitar os fatores de risco já nos primeiros anos de nossas vidas”, assinala Donald M. Lloyd-Jones. “Uma vez desenvolvidos os fatores de risco cardiovascular, é mais difícil ter um pós-50 anos sem problemas”.

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