Treinamento de Força para Jogadores de Tênis

Publicado em 26/01/2006, Fitness, 4 Comentários

Aspectos da força muscular e suas possíveis implicações na preparação dos jogadores do tênis de campo O músculo é considerado um tecido plástico, pois, pode sofrer adaptações funcionais, morfológicas e metabólicas conforme o tipo de treinamento físico ao qual é submetido (Maughan et alii, 2000).

Segundo Bosco (1998), na ação humana esportiva, o músculo esquelético torna-se especializado e se modifica na sua capacidade de funcionamento em resposta ao treinamento. Na visão de Enoka (2000), os músculos podem ser considerados máquinas moleculares que convertem energia química, derivada dos alimentos, em força.

O autor cita as principais propriedades do músculo, a saber: irritabilidade (habilidade para responder a um estímulo), condutividade (habilidade para propagar uma onda de excitação), contratilidade (habilidade para modificar seu comprimento) e adaptabilidade (um crescimento e uma capacidade regenerativa limitada). No tênis de campo, a força manifesta-se de diferentes maneiras: resistência muscular localizada, força máxima, resistência de força rápida e força explosiva (Vretaros, 2002).

Tais expressões da força podem ser analisadas tanto em conjunto como individualmente, pois, de acordo com Komi (1984) a performance muscular é dependente de inúmeros fatores envolvidos no movimento humano.

FORÇA

A força vista na lei da Física é igual a todo aquele agente capaz de atribuir aceleração a um corpo. Conforme Verkhoshansky(2001) a força empregada na ação humana esportiva relaciona-se a uma atividade do sistema nervoso central, que permite nosso aparelho locomotor reagir aos estímulos externos mediante a utilização da tensão muscular.

A qualidade da força que é utilizada na preparação física dos jogadores de tênis visa aprimorar o recrutamento neural do músculo, como também suas propriedades elásticas, permitindo com isoo, uma melhor reação do músculo as forças de ação contrária (Groppel&Roetert, 1992 ; Spassov, 1989).

No jogo de tênis, Skorodumova(1989) reporta que a força manifesta-se predominantemente na forma de resistência de força rápida, força explosiva e força máxima. Porém, no aspecto metodológico não bastaria apenas isso. É preciso criar condições para que estas manifestações da força possam ser transferidas para o movimento esportivo da modalidade. Para tanto, existe uma seqüência pedagógica devolução do trabalho de força que pode ser empregado no tênis.

RESISTÊNCIA MUSCULAR LOCALIZADA

O primeiro trabalho de força a ser desenvolvido é o da resistência muscular localizada, que objetiva criar condições fisiológicas nas estruturas musculares para permitir que o corpo do jogador suporte trabalhos de longa duração e prevenir o surgimento de futuras lesões.

Normalmente, esse tipo de trabalho pode ser feito na sala de musculação ou em um sistema de circuito, utilizando-se de quase toda a cadeia muscular agonista e antagonista, através e exercícios contendo muitas repetições e cargas baixas. Tais exercícios, contribuem para reforçar os músculos que poderiam estar mais débeis e adequar grande parte da musculatura geral (Harre&Leopold, 1990).

A resistência muscular localizada propicia uma adaptação anatômica primária (Bompa, 2001) nas estruturas musculares para o trabalho de força que virá posteriormente.

FORÇA MÁXIMA

O segundo tipo de trabalho de força tem como premissa o fato de que somente com esforço máximo é que se podem adicionar cargas mais intensas. A maior força que o sistema neuromuscular consegue mobilizar por meio e uma contração máxima representaria a força máxima (Weineck, 1999). Este tipo de treinamento não se aplica em atletas que se encontram na fase pubertaria (Weineck, 1999).

Na força máxima pode-se priorizar exercícios gerais em detrimento aos de caráter específico, pois, o interesse direciona-se aos principais grupos musculares. Portanto, no tênis, o supino e o agachamento satisfazem as necessidades reais do treino de força máxima.

O desenvolver da força máxima permitirá ao tenista transferir a força solicitada nos treinos em picos de aumento na potência. Devido as cargas serem muito próximas ao esforço máximo (85-95%), acabam ocasionando uma grande descarga de ativação neuromuscular que permite melhorar a coordenação intra e intermuscular (Bompa, 2001).

RESISTÊNCIA DE FORÇA RÁPIDA

Uma particularidade muito importante do jogo de tênis é que durante uma partida de profissionais são executadas uma média de 1100 batidas(dependendo do tempo de duração do jogo e do tipo de piso) (Skorodumova, 1998). Esse fato, por si só, justifica o treino da val6encia resistência de força rápida, que permitiria ao tenista executar as batidas por um longo período de tempo, sem perder a velocidade de execução de sua ação motora.

Esta demanda repetitiva de movimentos dos golpes efetuados pelo membro superior ocasiona um desbalanço na musculatura dos rotatores internos e externos. Segundo Treiber et alii, (1998) os rotatores internos cuja solicitação é mais acentuada, acabam desenvolvendo-se em maior escala se comparado aos rotatores externos, que possuem a função de desaceleração do movimento. Isto implicaria no aparecimento de lesões a médio e longo prazo caso esse desbalanço não seja corrigido (Chandler et alii, 1992).

Somando-se a isto, o membro dominante pelo seu uso excessivo torna-se mais hipertrofiado quando comparado ao membro contralateral (König et alii, 2001). Portanto, no início do programa de resistência de força rápida esse desbalanço deve ser avaliado e minimizado por meio de um trabalho corretivo de força.

Em relação aos principais músculos solicitados durante os movimentos, os estudos eletromiográficos apontam para a musculatura do peitoral maior, tríceps braquial, deltóide anterior e posterior, oblíquo externo, reto abdominal e extensor radial do carpo (Chow et alii, 1999; Giangarra et alii, 1993).

FORÇA PARA TENISTAS EM DIFERENTES FAIXAS ETÁRIAS

Programa de exercícios para o desenvolvimento da força nos jogadores de tênis, buscando com isso auxiliar os treinadores/atletas quanto a selecionar os exercícios tidos como apropriados para as respectivas faixas etárias.

7-8 ANOS DE IDADE

Deve ser dada ênfase a atividades que envolvam brincadeiras de forma mais lúdica possível e diferentes experiências motoras. Nesta fase as habilidades como pular, saltitar, arremessar, chutar, quicar, rebater, empurrar, torcer etc, nas suas diversas variações, devem ser incentivadas. O uso de recursos materiais simples proporciona um maior nível de motivação. Nesta fase, a força é desenvolvida basicamente no interagir do corpo com o meio ambiente.

9-10 ANOS DE IDADE

Com o domínio de alguns movimentos/habilidades motoras básicas, nesta etapa pode-se dividir os exercícios em gerais e específicos. Gerais: em duplas, trios ou até quartetos cria-se interação entre os membros em atividades que envolvam as habilidades da fase anterior. Por exemplo, em duplas de mãos dadas, deslocar-se pulando em toda extensão da quadra. Específicos: minitênis com raquetes da faixa etária simulando os golpes. Importante frisar o uso do braço dominante e também do oposto para segurar a raquete.

11-12 ANOS DE IDADE

Gerais: agachamento com peso do próprio corpo, saltos com uma perna no local e em deslocamento, corridas curtas de frente e costas, caminhadas e/ou corridas curtas na areia, caminhadas e/ou corridas curtas em aclive, arremesso de bolas de tênis simulando beisebol, arremesso e objetos de médio porte, flexão de braços com apoio do joelho, transportar companheiro com peso semelhante, abdominais, dorsais etc.

Específicos: corridas curtas para devolução de bolas, corridas curtas de costas para devolução, seqüência de golpes de direita, seqüência de golpes de esquerda, seqüência de saques, seqüência de voleios. Uso da parede para execução dos golpes alternando com o uso da quadra. Solicitar do braço dominante e oposto.

13-14 ANOS DE IDADE

Gerais: uso de pesos livres. Exercícios que empreguem as principais articulações e músculos: o ombro, peitorais, bíceps braquial, tríceps braquial, flexores e extensores do punho, abdominais, dorsais, flexores e extensores do joelho, saltos com pesos leves, lançamento e arremessos de medicine-ball, exercícios que envolvam rotação interna e externa do tronco etc.

Específicos: seqüência de saques forçados, seqüência de golpes de direita forçados, seqüência de golpes de esquerda forçados, seqüência de saque-voleio forçados. Corridas curtas e longas para devolução de bolas, deslocamentos com tração, saídas rápidas e constantes mudanças de direção alternando os ritmos rápido e lento. Uso da parede para execução dos golpes alternando com o uso da quadra. É dada maior ênfase ao braço dominante.

ACIMA DE 15 ANOS DE IDADE

Gerais: aparelhagem da sala de musculação e pesos livres. Específicos: preparação física individualizada.

RECOMENDAÇÕES

Alguns cuidados devem ser observados, entre eles: o conhecimento do funcionamento do aparelho, a postura adequada durante a realização do exercício e a biomecânica do movimento. Os exercícios em aparelhos são básicos.

Porém, em algumas salas de musculação não são encontrados determinada aparelhagem. Neste caso, procure consultar um professor para lhe informar qual exercício aproxima-se melhor do aparelho. Portanto, cada vez mais se torna evidente que a força é um elemento de vital importância para a elaboração de um programa de preparação física voltada aos jogadores de tênis.

Direitos Autorais

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www.efdeportes.com

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4 Comentários

  • qual e os musculos utilizados???
    pq nao esta sendo citado no testo!!!!!!!

  • Geovane, você quer saber quais os grupos musculares que trabalham em que situação?
    Por favor seja um pouco mais detalhado. Obrigado pelo contato. Um abraço. Volte sempre.

  • olá estou fazendo un trabalho, e estou tentando dificuldades e achar os grupos musculares utilizados pelos tenistas , tem com vc me informar?!
    obrigada

  • é necessario que comente sobre os principais musculos utilizados pois e a informação que precisava

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