Idosos devem ter acompanhamento especializado

Publicado em 27/01/2006, Saúde, Não há comentários

A inatividade no idoso pode favorecer o aparecimento de doenças como a osteoporose, artrite e diabetes. A exemplo de muitos países da Europa é cada vez maior o número de idosos no Brasil. Fatores como o avanço da medicina e o desenvolvimento de novas tecnologias estão entre os principais responsáveis neste processo.

Ampliando a possibilidade de se ter um diagnóstico precoce de muitas doenças e com o acesso a tratamentos mais sofisticados e drogas mais eficazes, o resultado não poderia ser outro: a expectativa de vida da sociedade atual aumentou consideravelmente. Se nos anos 60, a estimativa era de 46 anos de idade hoje, a média é de 66 anos. Atualmente, no Brasil, um a cada dez indivíduos tem mais de 60 anos. Um número que só tende a aumentar. Segundo estimativas do IBGE, o País terá em 2030 a sexta população mundial em idosos.

idosos1.gifE os novos representantes da terceira idade não querem saber de pontos de crochê, nem de leitura de jornais ou de ficar de olho nos netos durante o dia todo. Os nossos velhinhos pegaram o gosto pela malhação. O problema é que nem sempre os idosos acreditam que seja necessário o acompanhamento de um médico, professor ou mesmo um personal trainer. E se habilitam a correr e a puxar ferro sem qualquer tipo de orientação especializada.

Outros simplesmente optam por andar. Afinal, estão cansados de ouvir que caminhar é o exercício mais indicado para todas as idades, que traz benefícios para a saúde e não tem contra-indicações. Os especialistas, porém, avisam que não é bem assim. Sair simplesmente caminhando pode trazer embutidos alguns riscos e enganos, principalmente para as pessoas que já entraram na terceira idade.

Não ficamos velhos de um dia para o outro. E, sim, um dia após o outro. Os sinais de envelhecimento, na verdade, começam bem antes da terceira idade. A partir dos 35 anos, as mulheres perdem 1% de massa óssea por ano. Depois da menopausa, esse índice sobe para cerca de 2%. Nos homens, anualmente, a perda se mantém em 0,5% após os 40 anos.

Além disso, a musculatura – responsável pela sustentação e força do corpo – também vai enfraquecendo com o passar do tempo. E mais: com o processo de envelhecimento do corpo, a capacidade cardiorrespiratória tende a diminuir. Um conjunto de condições que deixa o organismo mais frágil, principalmente para a realização de atividades de impacto e que exijam vigor, fôlego e velocidade, como é o caso dos esportes.

O indivíduo que é sedentário chega aos 60 anos com probabilidade maior de estar com ossos mais frágeis e músculos mais fracos. O percentual de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos e dependentes para realizar suas atividades cotidianas esbarra em um impressionante patamar de 84%.

A inatividade no idoso pode favorecer o aparecimento, e até mesmo o agravamento, de certas doenças como a osteoporose, artrite, diabetes, obesidade e hipertensão arterial, entre outras.

Por causa de fatores como esses chega até a ser comum que pessoas encarem a velhice como sinônimo de senilidade. Uma crença que faz com que alguns indivíduos tenham dificuldade em aceitar o envelhecimento. Não podemos ter vergonha de envelhecer. É a evolução da vida.

A perda de força tem um caráter progressivo. É um processo contínuo, fisiológico e natural. Mas, a atividade física é uma forma de deter esse envelhecimento, assegura Moisés Cohen, professor livre-docente do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor do Instituto Cohen.

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