Idosos devem ter acompanhamento especializado
A inatividade no idoso pode favorecer o aparecimento de doenças como a osteoporose, artrite e diabetes. A exemplo de muitos países da Europa é cada vez maior o número de idosos no Brasil. Fatores como o avanço da medicina e o desenvolvimento de novas tecnologias estão entre os principais responsáveis neste processo.
Ampliando a possibilidade de se ter um diagnóstico precoce de muitas doenças e com o acesso a tratamentos mais sofisticados e drogas mais eficazes, o resultado não poderia ser outro: a expectativa de vida da sociedade atual aumentou consideravelmente. Se nos anos 60, a estimativa era de 46 anos de idade hoje, a média é de 66 anos. Atualmente, no Brasil, um a cada dez indivíduos tem mais de 60 anos. Um número que só tende a aumentar. Segundo estimativas do IBGE, o País terá em 2030 a sexta população mundial em idosos.
E os novos representantes da terceira idade não querem saber de pontos de crochê, nem de leitura de jornais ou de ficar de olho nos netos durante o dia todo. Os nossos velhinhos pegaram o gosto pela malhação. O problema é que nem sempre os idosos acreditam que seja necessário o acompanhamento de um médico, professor ou mesmo um personal trainer. E se habilitam a correr e a puxar ferro sem qualquer tipo de orientação especializada.
Outros simplesmente optam por andar. Afinal, estão cansados de ouvir que caminhar é o exercício mais indicado para todas as idades, que traz benefícios para a saúde e não tem contra-indicações. Os especialistas, porém, avisam que não é bem assim. Sair simplesmente caminhando pode trazer embutidos alguns riscos e enganos, principalmente para as pessoas que já entraram na terceira idade.
Não ficamos velhos de um dia para o outro. E, sim, um dia após o outro. Os sinais de envelhecimento, na verdade, começam bem antes da terceira idade. A partir dos 35 anos, as mulheres perdem 1% de massa óssea por ano. Depois da menopausa, esse índice sobe para cerca de 2%. Nos homens, anualmente, a perda se mantém em 0,5% após os 40 anos.
Além disso, a musculatura – responsável pela sustentação e força do corpo – também vai enfraquecendo com o passar do tempo. E mais: com o processo de envelhecimento do corpo, a capacidade cardiorrespiratória tende a diminuir. Um conjunto de condições que deixa o organismo mais frágil, principalmente para a realização de atividades de impacto e que exijam vigor, fôlego e velocidade, como é o caso dos esportes.
O indivíduo que é sedentário chega aos 60 anos com probabilidade maior de estar com ossos mais frágeis e músculos mais fracos. O percentual de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos e dependentes para realizar suas atividades cotidianas esbarra em um impressionante patamar de 84%.
A inatividade no idoso pode favorecer o aparecimento, e até mesmo o agravamento, de certas doenças como a osteoporose, artrite, diabetes, obesidade e hipertensão arterial, entre outras.
Por causa de fatores como esses chega até a ser comum que pessoas encarem a velhice como sinônimo de senilidade. Uma crença que faz com que alguns indivíduos tenham dificuldade em aceitar o envelhecimento. Não podemos ter vergonha de envelhecer. É a evolução da vida.
A perda de força tem um caráter progressivo. É um processo contínuo, fisiológico e natural. Mas, a atividade física é uma forma de deter esse envelhecimento, assegura Moisés Cohen, professor livre-docente do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor do Instituto Cohen.
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