A História da Capoeira

Publicado em 27/08/2005, Diversos, Não há comentários

Com início da colonização, os portugueses viram no trabalho escravo um instrumento para o desenvolvimento desejado por eles. Tentaram, no começo, escravizar e explorar o trabalho dos indígenas que aqui já viviam, mas as características físicas e culturais, somadas à resistência ao trabalho cativo por parte dos índios, os levam à morte rápida no cativeiro. A saída encontrada pelos colonizadores foi a escravidão negra, o tráfico de homens negros, trazidos do continente africano para o início de grande saga que marcou a sociedade brasileira: o período das torturas, da lei da chibata e da morte como reguladora das relações de trabalho. Um povo passou a viver na escravidão. Assim, já no início do século XVI, milhares de africanos foram desembarcados em terras brasileiras. Com eles, a história do país ganhou alterações. Inicialmente foram mão-de-obra nos canaviais e depois na mineração e em outras atividades produtivas. Foram trazidos contra sua vontade mas, naturalmente, trouxeram sua cultura, sua vivência e, com ela, a semente da liberdade que nunca morreu, mesmo na terra marcada pelos horrores da escravidão.

É claro que essa cultura Não estava nas escolas, nos livros nem nos museus.

Mas era guardada no corpo, na mente, na vivência histórica do povo e transmitida há séculos através das gerações. Manifestava-se por intermédio da música, da dança, da comida, da filosofia e da religião. Basta recorrer à história do Brasil e encontraremos, a partir do século XVI, a cultura negra presente com o seu vasto conjunto de expressõesto para o ensaio da luta.

Como o negro nunca deixou de praticar sua cultura, era comum, durante o período da escravidão, que se juntassem grupos de homens e mulheres para a cantoria, para a dança e mesmo para o culto aos orixás que também são saudados com ritmos e cantos.

Como a Capoeira nasceu conjugado movimentos de danças, os encontros festivos ou místicos passaram também a ser mais uma oportunidade para a sua prática, já que esses encontros, principalmente os festivos, não eram reprimidos pelos donos de escravos. Assim a Capoeira ganhou o acompanhamento de cantos e ritmos que acabaram incorporados eram os disponíveis e já conhecidos pelo negro com destaque para o berimbau, o atabaque e o agogô. Mas foi o berimbau que ficou como uma espécie de símbolo da Capoeira já que o atabaque e o agogô integram a mitologia africana chegando mesmo, no caso do atabaque, a ser reverenciado como uma divindade. Desta forma, o berimbau, considerado o mestre dos mestres na Capoeira, ganhou importância nas lutas pelas suas possibilidades rítmicas e sonoras. Ganhou a função de comandar o jogo da capoeira com seus diferentes toques. Então, ao som dos instrumentos, palmas e cantorias, o negro recriava o seu universo cultural, cultivava o seu misticismo, alegrava-se ou lamentava-se e ainda se preparava para a luta. Os feitores e capatazes passavam ao lado da festança e acreditam ser apenas um encontro para a “dança de Angola”, que recebia esse nome em função da nação africana que mais cedeu negros para o tráfico de escravos. Afastando-se os feitores, intensificava-se o treinamento e o negro aparelhava-se cada vez mais para lutar. Mesmo que um feitor parasse e ficasse admirando a dança, dificilmente compreenderia que aqueles movimentos, executados com leveza dos felinos e com a plástica de um bailarino, pudesse trazer, no seu conjunto, poderosos golpes desequilibrantes, traumatizantes e rápidos como o bote da temível cascavel.

Capoeira Angola

A Angola poderia ser definida como um estado de espírito distinto, onde o jogo é implícito, ao contrário da Regional, onde ele se mostra explícito. Onde se joga mostrando uma parte e escondendo outra, com muita malícia. A capoeira Angola verdadeira é uma manifestação essencial e sempre autêntica. Existem muitas confusões em relação às distinções entre Capoeira Regional e a Angola. Inclusive os toques de berimbau da Angola são bem mais populares, embora a maioria dos capoeiristas digam que são adeptos da Regional, quando abre a roda e começam a jogar, lá estão os princípios da Angola: três berimbaus, atabaque, pandeiros, etc… Além dos toques de Angola, São Bento Pequeno de Angola para abrir a roda. Voltando ao jogo em si, os angoleiros nunca começam a jogar enquanto alguém estiver cantando uma ladainha, e se estiverem jogando e alguém começar a cantar uma, imediatamente retornam ao pé do berimbau e só saem quando a ladainha acabar. O princípio dessa atitude é muito simples: a ladainha é uma mensagem, muitas vezes para quem vai jogar, é um pedido de proteção, é um desafio, por isso é sagrado o dever do jogador escutá-la antes do jogo. A Angola também não tem pressa, e os angoleiros deixam o jogo fluir, evoluir, sem qualquer tensão com o tempo. Outro equívoco muito comum que se comete é o de que Angola deve ser feita no nível de movimentação baixa, próximo ao chão, que seja sempre jogo baixo. O fato de jogar alto ou baixo é uma consequência do andamento do jogo e não uma regra, onde alto seja Regional e baixo seja Angola. Como a duração do jogo de Angola é maior e ela conta com toques de ritmos mais lentos (como o São Bento Pequeno de Angola e o próprio toque de Angola) o jogo acaba durando mais e, com isso, fica maior a chance de se evoluir no jogo, seja jogando alto(subindo), ou jogando baixo (descendo), ou ao contrário, descendo e depois novamente subindo, etc. Seu cultivador maior foi Vicente Ferreira Pastinha.

Capoeira Regional

A capoeira Regional, se caracteriza por ser jogado sob toques rápidos do Berimbau: São Bento Grande Regional, Idalina, Banguela, Amazonas, Iúna. Segundo os princípios desenvolvidos pelo seu criador, Mestre Bimba. Não basta o toque ser rápido para que o jogo seja Regional. Tem regra; tem toque específico para o jogo específico, tem fundamentos próprios. Jogo Regional pode ser de fora, como também pode ser de dentro. Pode ser alto ou baixo. Pode ser jogado na manha do toque da Banguela, que o Mestre criou para acalmar os ânimos. Mas tem que ser marcado, sincronizado no toque do berimbau único que segura a roda e dá o ritmo do jogo. Pode ser rápido e pode ser manhoso também. Regional tem força, garra, ritmo e muita ciência também. A falta de respeito com os fundamentos da Regional é muitas vezes tão grande quanto para com a Angola, uma vez que a maioria dos capoeiristas dizem serem adeptos e praticantes da Regional e não conhecem, salvo exceções, os fundamentos desse estilo. A Regional tem sua própria ciência e eficiência. Se pretende-se seguir este estilo, deve-se buscar conhecer e obedecer os seus princípios, defendê-los e respeitá-los. Podemos dizer que sejam representantes legítimos da Capoeira Regional os ex-alunos do Mestre Bimba e seus descendentes diretos e os demais capoeiristas que sejam fiéis às suas bases e filosofia, independente da origem do conhecimento adquirido, se for autêntico, é claro. As cantorias na Regional, foram divididas entre quadras e corridos, diferente da Angola que abre com a ladainha e depois passa para os corridos. A capoeira Regional é um legado deixado por mestre Bimba e fará parte da história do Brasil para todo sempre, mestre Bimba deixou um legado que atualmente é praticado e difundido em todo planeta.

Aprenda alguns Golpes

Armada:
O capoeira executa um giro de todo o corpo, aparentemente dando as costas ao adversário, posicionando-se sobre a perna que se encontra à frente, arremessando a outra perna, em um movimento que completa o giro do corpo, tendo como objetivo a cabeça do oponente.

Capoeira Armada

Au:
Esse é um golpe importante para quem quer iniciar a capoeira, pois ele dá o equilíbrio.É um golpe parecido com a estrela, só que na estrela as pernas ficam esticadas para cima, já no Au as pernas ficam esticadas para lateral atingindo o oponente.

Capoeira Au

Benção:
O capoeira ao aplicar a Bênção levanta a perna que se encontra atrás na ginga, puxa-a em direção a si e – num movimento rápido – empurra-a contra o peito do adversário, buscando atingi-lo com o calcanhar.

Capoeira Benção

Cabeçada:
Em uma posição semelhante à da esquiva, o capoeira projeta seu tronco para a frente, sobre uma perna flexionada servindo como base, buscando atingir o adversário com a cabeça.

Capoeira Cabeçada

Chapa de Costa:
Neste movimento o capoeira se abaixa até o solo, numa posição próxima à da meia lua de compasso, quando então desfere um golpe idêntico à chapa lateral, agora contando com o apoio das duas mãos ao solo e se aproveitando do fato de estar de costas para o adversário.

Chapa de Costa

Martelo:
O martelo é um golpe onde o capoeira impulsiona a sua perna em direção a cabeça de seu adversário.É bom que o capoeira já tenha um bom alongamento para fazer bem esse golpe, mas também pode se usar o apoio da mão para aplicar esse golpe.

Capoeira Martelo

Martelo Cruzado:
Aqui o capoeira dá um salto onde uma das pernas fica no ar e a outra vai dar um giro atingindo a cabeça do seu adversário. É um golpe muito perigoso, pois eu já vi um capoeirista desmaiar na roda por causa da forte pancada que levou.

Capoeira Martelo Cruzado

Meia Lua de Compasso:
Neste movimento o capoeira se abaixa até o solo, apoiando as duas mãos ao solo e desferindo um giro com a perna de trás, arremessando-a à altura do tronco do adversário. O giro é executado sobre a perna base, como se fosse um compasso. Durante todo o movimento a cabeça se encontra entre os braços, os olhos atentos ao adversário.

Capoeira Meia Lua de Compasso

Negativa:
Aqui o capoeira desce sobre uma perna, que flexionará sob o peso do corpo, ao abaixar-se. Com isto, temos o corpo sobre uma perna, apoiado no calcanhar, enquanto a ponta do pé (flexionada) firma a base no chão. A outra perna é lançada à frente, esticada, o calcanhar tocando o solo. O braço deste lado apoia a mão ao solo, garantindo ao capoeira três pontos de apoio e uma posição que permite locomoção rápida. Geralmente os capoeiras aperfeiçoam a execução da negativa treinando a troca de negativas, que consiste em alternar sucessivamente os pontos de apoio do corpo, de um lado e de outro, em rápidos movimentos .

Capoeira Negativa

Ponteira:
Esse é um golpe em que o capoeira puxa a perna que esta atrás da ginga e manda um potente chute com as pontas dos dedos do pé em direção ao adversário.

Ponteira
Queda de Rim:
Aqui o capoeira se abaixa coloca o cotovelo no seu rim (que vai servir de apoio), e encosta a mão e também a cabeça no chão e impulsiona o corpo para cima ficando com as pernas em equilíbrio.

Queda de Rim

Queixada:
Aqui o capoeira se posiciona defronte ao adversário, dá um passo lateral e em seguida, numa torção do tronco, arremessa a perna da frente, desferindo um movimento semicircular à altura da cabeça do adversário, prosseguindo a descida da perna até o solo.

Queixada

Rolê:
Aqui o capoeira encosta as duas mãos no chão e as duas pernas dando um giro de 360 graus.Geralmente é usado para o capoeira voltar para a ginga.

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Maculelê

Maculelê é uma dança, um jogo de bastões remanescente dos antigos índios cucumbis. É o maculelê. Esta “dança de porrete” tem origem Afro-indígena, pois foi trazida pelos negros da África para cá e aqui foi mesclada com alguma coisa da cultura dos índios que aqui já viviam.

A característica principal desta dança é a batida dos porretes uns contra os outros em determinados trechos da música que é cantada acompanhada pela forte batida do atabaque. Esta batida é feita quando, no final de cada frase da música os dois dançarinos cruzam os porretes batendo-os dois a dois.

Os passos da dança se assemelham muito aos do frevo pernambucano, são saltos, agachamentos, cruzadas de pernas, etc. As batidas não cobrem apenas os intervalos do canto, elas dão ritmo fundamental para a execução de muitos trejeitos de corpo dos dançarinos.

O maculelê tem muitos traços marcados que se assemelham a outras danças tradicionais do Brasil como o Moçambique de São Paulo, a Cana-verde de Vassouras-RJ, o Bate-pau de Mato Grosso, o Tudundun do Pará, o Frevo de Pernambuco, etc.

Se formos olhar pelo lado do conceito de que maculelê é a dança do canavial, teremos um outro conceito que diria ser esta uma dança que os escravos praticavam no meio dos canaviais, com cepos de cana nas mãos para extravasar todo o ódio que sentiam pelas atrocidades dos feitores. Eles diziam que era dança, mas na verdade era mais uma forma de luta contra os horrores da escravidão e do cativeiro. Os cepos de cana substituíam as armas que eles não podiam ter e/ou pedaços de pau que por ventura não encontrassem na hora.

Enquanto “brincavam” com os cepos de cana no meio do canavial, os negros cantavam músicas que evidenciavam o ódio. Porém, eles as cantavam nos dialetos que trouxeram da África para que os feitores não entendessem o sentido das palavras. Assim como a “brincadeira de Angola” camuflou a periculosidade dos movimentos da capoeira, a dança do maculelê também era uma maneira de esconder os perigos das porretadas desta dança.

Uma outra versão diz que para se safarem das chibatadas dos feitores e capatazes dos engenhos, os negros dos canaviais se defendiam com pedaços de pau e facões. Aos golpes e investidas dos feitores contra os negros, estes se defendiam com largas cruzada s de pernas e fortes porretadas que atingiam principalmente a cabeça ou as pernas dos feitores de acordo com o abaixar e levantar do negro com os porretes em punho. Além desta defesa, os negros pulavam de um lado pro outro dificultando o assédio do feitor . Para as lutas travadas durante o dia, os negros treinavam durante a noite nos terreiros das senzalas com paus em chama que retiravam das fogueiras, trazendo ainda mais perigo para o agressor.

Atualmente a dança do maculelê é muito praticada para ser admirada. É parte certa na apresentação de grupos de capoeira e em eventos realizados como formaturas, encontros, batizados, etc.

É fundamental se preservar a dança do maculelê, ensiná-la com destreza e capacidade aos alunos para que eles possam eventualmente fazer belas apresentações. É maravilhoso podermos ver um Maculelê bem feito, dançado por belas garotas vestidas a caráter ou por rapazes negros, fortes e raçudos. O maculelê pode ser feito com porretes de pau, facões ou facas, mas, alguns grupos praticam o maculelê com tochas de fogo ou “tições” retirados na hora de uma fogueira que também fica no meio da roda junto com os dançarinos. É um espetáculo perigoso, pois corre-se o risco de se queimar. Porém, é uma das coisas mais bonitas de se ver. Exige muita habilidade dos dançarinos.

Fonte: www.capoeirauniaoeforca.hpg.ig.com.br

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