Cortisol
O cortisol é um dos hormônios produzidos pelas glândulas supra-renais. É secretado em resposta ao estresse. Em quantidades moderadas, o cortisol não é prejudicial. Porém, quando produzido em excesso, dia após dia – como conseqüência de um estresse crônico e implacável – esse hormônio é tão tóxico para o cérebro que acaba matando ou danificando bilhões de células cerebrais.
A exposição crônica do cérebro a níveis tóxicos de cortisol é a principal causa da degeneração cerebral durante o processo de envelhecimento. Durante décadas, o cortisol excessivo destrói a integridade bioquímica do cérebro.
Acredita-se, que a toxicidade do cortisol é uma das principais causas do mal de Alzheimer. Definido de maneira simples, o mal de Alzheimer é um distúrbio mental caracterizado por extensa morte de células cerebrais. Sendo que a produção excessiva de cortisol também é uma das principais causas da morte de tais células.
Como foi mencionada anteriormente, a produção excessiva de cortisol se dá pela exposição a situações estressantes. Sendo que há três meios essenciais para que o estresse destrua a perfeita função do cérebro e, como conseqüência, aniquile a memória.
- Quando o cortisol é liberado numa situação estressante, ele inibe a utilização de glicose pelo principal centro de memória, o hipocampo. Se não houver glicose no hipocampo, este sofre uma deficiência de energia e o cérebro não tem como, quimicamente, guardar uma memória. A pessoa pode vivenciar um fato, mas não tem como recordá-lo. Isso é responsável pelo imediato déficit de memória transitória de pessoas estressadas.
- A superprodução de cortisol interfere na função dos neurotransmissores. As células cerebrais não conseguem se comunicar umas com as outras, e a mente começa a ficar confusa.
- O excesso de cortisol mata as células cerebrais. Isso acontece quando o cortisol rompe o metabolismo normal dessas células e faz com que quantidades demasiadas de cálcio penetrem nelas. Esse excesso de cálcio acaba produzindo moléculas chamadas radicais livres, que matam as células cerebrais.
Os radicais livres podem ser produzidos por uma série de fatores. Até mesmo o oxigênio os produz como um subproduto do processo natural da oxidação. O cérebro não é a única parte do corpo prejudicada pelos radicais livres. Todas as células do corpo são vulneráveis.
A Importância dos Exercícios
O exercício aeróbico tem um efeito benéfico direto sobre o cérebro e o sistema endócrino. Intensifica o fluxo sanguíneo para o cérebro e até estimula o crescimento de novas “ramificações” de células cerebrais, além de ter ótimos benefícios indiretos. Protege fisicamente o organismo contra a reação ao estresse e também “queima” seus hormônios prejudiciais.
Um dos mais benéficos efeitos cognitivos diretos dos exercícios é aumentar o fluxo sanguíneo cerebral. Isso não só produz uma melhora imediata da função neurológica, como também ajuda o cérebro a progredir durante o curso de toda a vida. Como ¼ de todo o sangue do corpo é usado pelo cérebro, quase todos os exercícios que aumentam o fluxo sanguíneo auxiliarão o cérebro. Na verdade, o fenômeno comumente chamado “êxtase do corredor”, que é atribuído à produção de endorfina, é, em parte, resultado do aumento do fluxo sanguíneo.
Outro benefício direto dos exercícios é que eles provocam a liberação de várias secreções neurológicas e endocrinológicas, inclusive a noradrenalina, substância química cerebral estimuladora que atua como um neurotransmissor. A noradrenalina é um dos mais importantes neurotransmissores para armazenar novas memórias e é essencial ao transporte dessas memórias de um armazenamento temporário para um permanente. A noradrenalina também é importante para conservar o bom humor.
O exercício é ainda um excelente “amortecedor” do estresse. As pessoas que fazem exercício não ficam vulneráveis à ação do estresse, como acontece com as que são sedentárias.
O exercício também ajuda a reduzir o excesso de hormônios supra-renais, como o cortisol.
Porém, alguns pesquisadores preconizam que é um erro se exercitar até ficar prostrado. Os mesmos dizem que os exercícios com ritmo acelerado e extenuante, fazem com que as pessoas não alcancem altos níveis de longevidade e imunidade, níveis esses que são desfrutados por aqueles que fazem exercícios moderadamente. Esses pesquisadores teorizam que, na verdade, os exercícios extenuantes aceleram a formação de radicais livres nas células, através da “toxicidade do oxigênio”.
Outros autores ao se reportarem aos exercícios físicos extenuantes discorrem que tais exercícios desencadeiam a produção excessiva de cortisol, dentre outras substâncias, sendo assim, o cortisol em excesso poderá estimular a lipólise (quebra da molécula da gordura) e a proteólise (quebra da molécula de proteína) podendo resultar na perda de massa muscular, fator bastante perigoso na prática da atividade física. Não é preciso correr uma maratona para se caracterizar uma atividade física extenuante. Muitas pessoas que se exercitam por horas a fio, 2, 3 e até 4 horas seguidas, estão propensas a desenvolver esse quadro.
Outro fator fundamental é a seqüência de atividades. Muitas vezes uma seqüência equivocada de execução das atividades físicas poderá levar à produção excessiva de cortisol. Evidencia-se, portanto, a importância da prescrição e do acompanhamento na execução dos exercícios físicos por profissionais capacitados e experientes para possibilitar maior segurança e eficiência na prática desportiva.
Fonte: Khalsa, Dharma Singh. Longevidade do Cérebro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
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Grato pelo artigo. Estou realizando um resumo do livro acima citado e agradeço a ajuda que tive no seu artigo. Encontrei dificuldades para a utilização da glicose pelo cérebro e no seu trabalho achei o denominador para o cortisol.
Obrigado I.Nagy (fisioterapeuta e mestre em Gerontologia).
Muito bom o seu artigo. Seu artigo me auxiliou para realizar um trabalho da faculdade sobre o cortisol, seus efeitos no organismo e a importância do exercício físico.
Obrigado, Filipe(acadêmico de educação física)
Sr. ISTVAN NAGY, preciso muito falar-lhe.
por favor entre em contato URGENTE.
Deus te abençoe
Roberto Jesus Gonçalves
jesusgo@ig.com.br
Oi.Gostaria de saber em relação ‘a liberação de cortisol:o ideal seria fazer exercícios de menor intensidade na musculação ?Ou fazer mais aeróbicos do que musculação? Eu engordei muito fazendo hipertrofia e comecei a achar que é o cortisol o responsável.Obrigada.
Regina, a prática da musculação requer o emprego de uma programação de evolução do seu treinamento (Periodização), a qual, dependendo dos seus objetivos, seguirá um planejamento característico, ou seja, existem momentos cuja intensidade da sobrecarga é menor e outros cuja sobrecarga é maior. Isso também é válido para os exercícios aeróbicos, que devem ser orientados seguindo os mesmos princípios da periodização.
Para você chegar a conclusão de que engordou por causa do treinamento de hipertrofia e uma síntese excessiva de cortisol, você teria que fazer alguns exames bioquímicos para tal conclusão.
Faz-se necessário um cuidado bastante significativo com relação aos seus objetivos e a evolução dos treinamentos, pois tenho observado que muitas pessoas começam a treinar, querem hipertrofia, emagrecimento, enrijecimento, ou seja, tudo ao mesmo tempo, e para piorar, fazem dieta, depois esquecem da dieta, voltam a fazer dieta novamente e ficam nesse vai e vem que NÃO chegará em nenhum lugar…
Recomendo, procure informações o orientação com profissionais da Ed. Física para sua avaliação e montagem de programas de treinamento, bem como seu acompanhamento, você verá a diferença muito significativa, ou seja, RESULTADOS…
Um abraço, volte sempre.
Prof. Jeferson Porto