Corrida de Aventura
Corrida de Aventura Atravessar florestas fechadas, enfrentar desertos no lombo de camelos, escalar montanhas, pedalar na completa escuridão, subir e descer corredeiras de canoa, e tudo isso sem comer nem dormir direito. Assim são as Corridas de Aventura. Cuidado para não cair numa roubada como essa, se não você acaba gostando.
Tudo começou na Nova Zelândia no inicio da década de 80. (Era de se esperar, os Neozelandeses são fanáticos por esportes de ação, foram eles que inventaram o Bungee Jump e outras maluquices). Nesta época, praticantes de corridas nas montanhas começaram a adicionar outros esportes à modalidade, como a escalada, o rafting, o mountain bike e a canoagem. Numa visita ao pais, o francês Gerard Fusil gostou da idéia e resolveu organizar a primeira prova oficial de corrida de aventura, e assim nasceu o Raid Gauloises. Desde então o esporte tem se tornado mais e mais popular em todo o mundo, onde cada pais criou sua própria versão do esporte, como o Eco-Challenge dos Estados Unidos, o Elf Autenthique da França e a EMA do Brasil (Expedição Mata Atlantica).
Se você ainda não se convenceu da pedreira que é uma corrida de aventura, se ainda não está vendo nada de radical nela, tente compra-la, por exemplo, com o Iron Man, prova de triatlon com um percurso de 4 km de natação, 200 km de ciclismo e 50 km de corrida, arredondando tudo temos uns 300 Km de prova individual. Na ultima edição do Raid Gauloise, no Vietnã, as 50 equipes (isto mesmo, a corrida de aventura é disputada em equipes de 3 a 5 componentes) percorreram nada menos de 1000 km. Cada prova desse esporte é completamente diferente da outra, adaptando-se às condições do lugar.
A habilidade de pilotar camelos pode ser vital no Marrocos, mas não ajuda muito quando você está na Patagônia, lugar onde a habilidade de desviar de coelhos e pedras numa descida de bicicleta vale muito mais. Independente o lugar onde ocorre a prova, a principal capacidade exigida de todos os atletas é a de superar seus próprios limites.
Afinal muitas das provas duram mais de uma semana, sem folga para comer ou dormir. Talvez, mais do que o desafio, o que atrai os atletas alem do contato com a natureza e a adrenalina da competição é a simplicidade da prova. Os percursos a serem percorridos só são revelados aos atletas na hora da competição, toda a navegação é feita por bússolas e mapas, e a regra é bem simples: todo mundo sai correndo. Ganha quem chegar primeiro.
ENTENDA A LÍNGUA
AT – Sigla para Área de Transição. Local onde as equipes trocam de modalidade e, na maioria das provas onde há presença de equipe de apoio, também onde encontram as referidas.
Corte - Antes do início da prova a organização determina os locais, datas e horários de corte, quer dizer, se a equipe não conseguir chegar em um determinado PC até o dia e hora determinado, cai de categoria. A equipe continua na prova mas elimina vários PCs, percorrendo um caminho mais curto do que o percorrido pelas equipes da categoria principal.
Dark Zone – Trecho da prova que é proibido ser percorrido à noite. Um horário limite para a saída é determinado pela organização e as equipes que não conseguirem sair antes deste horário devem esperar até que o dia amanheça para prosseguir.
EMA – Expedição Mata Atlântica, a primeira, maior e mais popular prova do Brasil, que em 2001 entrou para o Circuito Mundial de Corridas de Aventura.
Fiscais – Pessoas recrutadas pela organização para fiscalizar a prova, controlar a passagem das equipes nos PCs e checar equipamentos. Passaporte – Caderneta onde os fiscais e capitães de equipe assinam a passagem da equipe pelo PC.
PC – Sigla para Posto de Controle. Local onde as equipes são obrigadas a passar para carimbar o passaporte.
PC Virtual – Um Posto de Controle sem fiscal. A organização formula 1 ou mais perguntas a respeito de alguma coisa que esteja no trajeto percorrido pelos atletas. Geralmente estes PCs estão localizados em locais de difícil acesso para carros. Por exemplo: Qual a cor da janela da casa azul?
Perna – No caso das corridas de aventura, uma perna é o trecho percorrido entre um PC e outro.
Race book – Instruções que os atletas recebem antes da largada: horários de corte, darkzone, PCs virtuais, alertas etc. Road Book – Instruções para que equipes de apoio e imprensa consigam chegar de carro aos ATs.
O QUE VOCÊ PRECISA
A primeira coisa a fazer para quem pretende participar de uma corrida de aventura é montar uma equipe. Preste bastante atenção! Montar uma equipe significa ter bem claro entre todos os integrantes quais são os objetivos desejados. É fundamental que o relacionamento entre os companheiros seja de muito amor. Palavras de um dos melhores atletas em corridas de aventura do mundo, o neozelândes John Howard: “o segredo é a colaboração”.
Treinar exatamente da maneira como você espera que seja a competição, captar recursos para pagar a taxa de inscrição e as despesas com equipamentos e transporte, reunir-se semanalmente para discutir detalhes de logística e arranjos para que na hora da prova tudo esteja o mais organizado possível. E tudo com bastante tempo de antecedência.
Para fazer uma inscrição em qualquer corrida de aventura organizada é imprescindível que todos os participantes apresentem certificados de conclusão de cursos em canoagem, técnicas verticais e orientação, por exemplo. Essa medida tem duas funções: separar os aptos dos não aptos e assegurar que os competidores tenham noções das modalidades que enfrentarão na corrida. Apresentar um projeto sócio-ambiental para ser implementado na região da competição e pagar a taxa de admissão completam a lista de exigências da inscrição.
Adquirir o máximo de experiência outdoor, de preferência em todas as modalidades exigidas para a prova, é fundamental para as equipes que obrigatoriamente precisam percorrer todo o trajeto e cruzar a linha de chegada para serem oficialmente classificadas.
Alguns equipamentos recomendados para você começar no esporte:
- Bússola;
- Altímetro;
- Apito;
- Primeiros socorros;
- Lanterna;
- Cantil;
- Tênis para caminhada;
- Canivete ou faca;
- Mountain Bike;
- Capacete;
- Luvas;
- Sapatilha ou pedaleira;
- Colete salva-vidas;
- Cadeirinha de escalada;
- Mosquetões;
- Cordas;
- Solteiras;
- Freios;
- Equipamento de ascensão.
RAPEL
O rapel consiste no uso de uma série de procedimentos e equipamentos visando uma perda gradativa de energia potencial, de maneira controlada, na passagem vertical de um ser humano entre dois níveis de altitude. Em outras palavras: São técnicas de descida vertical em corda.
Derivado do alpinismo, o rapel têm origem na França, inicialmente criado para a busca de pessoas perdidas nos Alpes. Hoje, apresenta iversas sub-divisões e adaptações à geografia dos países onde vai sendo introduzida e se tornando popular.
O Brasil, por suas características tropicais e grande riqueza fluvial, se presta muito bem à exploração consciente e prática do esporte; Esta é uma mania que vem conquistando mais adeptos a cada dia. Existem mesmo aqueles que, não estando ao alcance de uma bela cachoeira, se prestam a procurar um tipo de rapel urbano, utilizando inclusive como técnicas de salvamento e resgate.
Existem vários tipos de rapel, tais como:
Rapel Inclinado: É o tipo de rapel mais simples de ser executado, como o próprio nome diz, ele é feito em uma parede ou pedra com menos de 90º de inclinação. Ele serve de base para os outros tipos, e é nele que nós nos familiaremos e sentiremos segurança no equipamento.
Rapel Vertical: Não se difere muito do visto acima, tendo suas grandes diferenças apenas na saída, onde dependendo do ponto de fixação da corda, poderemos ter um alto nível de força no baldrier (cadeirinha) devido a passagem do plano horizontal para o vertical. E um outro fator a ser considerado é uma maior pressão no freio.
Rapel Negativo: Este tipo de rapel é um dos mais praticados, deve-se isto ao fato de ser um rapel que é feito em “livre” ou seja, sem o contato dos membros inferiores com qualquer tipo de “meio”(pedra, parede, etc). O seu ponto crítico é a saída, pois temos que ficar quase de cabeça para baixo e é quando temos um nível muito alto de pressão no baldrier e no freio, devemos ter também uma grande atenção na velocidade de descida, pois ela aumenta fácil e rapidamente.
Rapel Invertido Negativo: Feito nas mesmas condições do visto anteriormente, sendo que após a saída, toma-se posição invertida (de cabeça para baixo). Deve-se antes executar a manobra, mentalizar os procedimentos, pois você estará em uma posição invertida assim como os comandos do freio, além é claro da facilidade do aumento de velocidade.
Rapel de Frente: Nas mesmas condições que os outros, sendo agora de frente para a descida (tipo o filme Soldado Universal), além de dar mais “medo” deve-se tomar cuidado na hora do freio quanto a posição do corpo e a elasticidade da corda, pois estamos em uma posição em que podemos facilmente perder o equilíbrio.
Rapel em Cachoeira – Canyoing: Podemos encontrar aqui diversos tipos de descida (quanto a posição de descida). Mas o principal aqui é alertar quanto ao fato de estarmos descendo em pedras escorregadias que ao menor descuido nos fará perder o equilíbrio e trará consequëncias imprevisíveis. Também devemos considerar a força da queda d’água. Não é qualquer cachoeira que nós podemos nos enfiar debaixo, devemos ter prudência na hora de escolhermos, pois se entrarmos embaixo de uma “tromba d’água” teremos consequëncias desastrosas, como não conseguir freiar.
Rapel Intercalado: Rapel este que teremos que fazer “escalas” ou seja, desceremos com a corda dobrada e a prenderemos em um outro ponto de fixação (pelo menos três metros antes do final da corda) a descida deverá seguir uma sequëncia que é normalmente estabelecida antes de ser iniciada.
Como norma de segurança, deve-se amarar as pontas da corda com um nó de pescador e colocar ali um mosquetão, procedimento este que em caso de perdermos o controle da descida, ficaremos presos no final da corda, evitando uma queda que seria fatal.
Equipamento Básico
O equipamento é o item mais importante para os praticantes de esportes de aventura, sendo que podemos começar com muito pouco: Uma mochila velha, dois cobertores e uma garrafa d`agua. À medida em que as expedições tornarem-se mais ousadas e o gosto pelo esporte justificar maiores investimentos, devemos adquirir o material, um item de cada vez, quando estes forem sendo necessários.
Os primeiros itens, obrigatórios e indispensáveis são:
Mochila
Adquira uma boa mochila. Capacidade média de 60 litros. Caso suas pretensões sejam maiores sua capacidade deve ser maior: 70 ou 80 litros.
Evite: Mochilas sem armação; Barrigueiras finas (25mm ou menos); Nylon fino e fraco; Costuras simples e sem reforço nas alças.
Prefira: Mochilas com armação interna e barrigueira; Zíper opcional no fundo do saco; De nylon grosso e forte ou cordura, com costuras rebatidas e repespontadas, reforçada nas alças e fitas; Alças acolchoadas;
Cantil
Sua reserva de água sempre à mão. A capacidade de um litro é a mais usual e satisfaz plenamente na maioria dos casos. Prefira: Cantis de plástico grosso, com tampa de rosca; Com capa para carregar à cintura;
Calçados Apropriados
A melhor maneira de escolher um calçado é experimentá-lo na loja, já com o número de meias que se pretende usar e testá-lo, andando, abaixando, saltando, etc. Amacie o calçado antes de ir para a trilha.
Evite: Coturnos e botas militares; Sapatos comuns, sandálias e saltos altos; Calçados rígidos ou moles demais; Caminhar com calçados novos.
Prefira: Solas espessas anti-derrapantes; Mais os leves do que os pesados; Com acolchoamentos e amortecimentos; Meio-cano (tipo basquete);
Estojo de Primeiros Socorros
Imprescindível nas expedições, um estojo individual, compacto e simples, para socorros em acidentes comuns como cortes, escoriações, bolhas e pequenas indisposições na trilha, deve conter os seguintes itens:
- Antisséptico (Mertiolate);
- Compressas de Gaze (cortadas);
- Cotonetes;
- Tesoura;
- Pinça;
- Agulha de Injeção (bolhas e espinhos);
- Curativos (band-aid);
- Esparadrapo;
- Atadura de Crepe;
- Antitérmico;
- Analgésico;
- Antiespasmódico;
- Antialérgico (pomada e comprimidos);
- Antiácido;
- Vaselina;
- Repelente de Insetos;
- Protetor Labial;
- Protetor Solar;
- Outros medicamentos pessoais;
Equipamento Complementar
Se você é daqueles que já adotou um esporte de aventura como seu “hobbye”, justifica-se o investimento em itens complementares, para seu melhor conforto e segurança.
Estojo de Cintura
Muito útil em pequenas excursões ou para carregar objetos pequenos que devem estar sempre à mão. Deve ser confortável, com cinto mais ou menos largo.
Fogareiro e Lampião
Necessários para fazer refeições e iluminação noturna.
Evite: Carga de gás pesada (2Kg); Espiriteiras a álcool e pastas;
Prefira: Cargas de gás leve (gás butano), cartuchos, embora mais caros, ou querosene;
Panelas
Qualquer leiteira ou uma pequena panela de alumínio, sem cabo, é suficiente. Um paneleiro articulado de camping, descartadas as peças em excesso pode ser extremamente prático. Não esqueça um jogo de talheres, também de encaixe.
Bússola e Mapa da Região
Aprender a utilizar bússola e mapa é uma habilidade extremamente necessária aos aventureiros. Os mapas, de preferência topográficos (IBGE), devem ser consultados antes mesmo de se arrumar seu equipamento para a expedição, pois nos dão inúmeros detalhes invisíveis aos olhos. Quanto à bússola, temos vários modelos e tipos, desde as de lata ou plástico, com uma agulha imantada e um mostrador com a rosa dos ventos até as importadas, com caixa líquida, fenda e retículo de visada, transferidor e régua de acrílico, etc. Prefira as que possuem mais recursos de orientação, como os modelos Silva ou de Visada.
Lanterna
Não precisa ser muito volumosa nem potente. É preferível que seja à prova d’água.
Barraca
É a proteção extra, necessária no pernoite quando hà chuva ou frio. existem vários modelos, desde a canadense, usadas para camping, a iglu, usadas em deslocamentos,etc.
Evite: Barracas pesadas e volumosas, sem sobreteto;
Prefira: Barracas leves, com estrutura de fibra de vidro, mais compactas, que podem ser carregadas dentro da mochila; Sobreteto de nylon resinado; Paredes de tela aberta;
Saco de Dormir
É imprescindível em pernoites, seja abrigado ou não. Ele ajuda a perder pouco calor corpóreo durante a noite, formando uma camada isolante.
Evite: Sacos pesados e permeáveis; Costuras “frias” (uma camada);
Prefira: Sacos de fibras sintéticas leves (poliéster); Com formato e espaço interno adaptado ao usuário; Com costuras “quentes” (duas camadas intercaladas); Com zíper duplo e capuz;
Mosquetões
São elos de duralumínio ou aço, com fecho de mola, usado no encaixe de outros equipamentos (cordas, alças de fita, oito, baudrier, etc). Peça importantíssima e prática para sistemas de segurança, descidas e ancoragens.
Cordas ou Cabos
As cordas mais utilizadas em montanhismo, rapel e canyoning são fabricadas com fibras sintéticas, como nylon e perlon, devido a alta resistência e elasticidade. A maioria das cordas usadas são estrangeiras, com o selo oficial da UIAA – Union Internacionale d`Associations d`Alpinisme, que é uma entidade mundial que realiza rigorosos testes de segurança em equipamentos de escalada. Ao adquirir este equipamento, procure orientação de pessoas especializadas e competentes. Evite cordas nacionais, pela baixa qualidade e ausência de testes que garantem a segurança.
Cadeirinha ou Baudrier
Trata-se de uma “cadeira” de fitas de nylon que distribui a tensão causada pelo peso do corpo na cintura (região lombar da coluna) e virilha (região proximal da coxa). Existem vários modelos, mas as diferenças não são tão significativas, como controle de ajuste nas coxas, tamanhos, etc.
Aparelhos Descensores
Oitos, podem ser de vários modelos diferentes, é um aparelho fabricado em duralumínio ou aço, que pode ser usado em sistemas de segurança e em descidas pela corda; Stop, Aparelho que freia a descida do escalador, proporcionando baixa velocidade e permite a parada total em qualquer ponto da corda sem o uso das mãos.
Capacete
Uso optativo embora seja certo que o mesmo contribui na prevenção de acidentes sérios, protegendo o escalador de objetos cadentes ou numa queda. Muito semelhante ao capacete de ciclismo, leve, ajustados à cabeça e forrados com espuma.
Canivete
Um canivete é sempre útil, em alguns casos até mais do que as facas. Os suíços são os melhores. Escolha um modelo que tenha uma ou duas lâminas, chave de fenda, pinça, abridor de latas e uma lima.
Tesouro
Ao levar o equipamento completo, o excursionista fica preparado para qualquer circunstância, mas em alguns casos não é justificável levar tudo para uma caminhada curta ou um passeio secundário no meio da trilha. Nesses casos o “tesouro”, composto pelos 10 essenciais, estatísticamente dá 100% de chance ao seu portador de se safar de qualquer situação possível. O “tesouro” deve ser levado sempre que o caminhante se afastar mais de 1 hora de sua mochila, dentro de um estojo de cintura ou pochete. Os 10 essenciais são:
- Cantil;
- Bússola;
- Mapa;
- Estojo de Primeiros Socorros;
- Faca;
- Fósforos ou Isqueiros;
- Lanterna;
- Roupa Extra;
- Alimentos Extras;
- Apito.
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Olá gostaria de sabe como faço para fazer parte ou entrar em uma equipe de corrida de aventura.
Prezado Ayltn. Acesse o site http://WWW.OSKABA.COM.BR lá você encontrará várias informações sobre essa equipe de corrida de aventura, bem como seus respectivos contatos.
Qualquer dúvida entre em contato. Estou a disposição.
Grande abraço. Bom divertimento…
Volte sempre…
Prof. Jeferson Porto